Livros | Vaga-Lume, uma vaga lembrança de nossas infâncias



Mesmo não tendo lido algum de seus volumes, certamente, todos nós já ouvimos falar da Coleção Vaga-Lume, a série de livros lançada em 1972, pela Editora Ática. Considerada uma febre na época, foi um grande sucesso de vendas, sendo publicada até os dias atuais. Adotada pela maioria das escolas como fonte de leitura, a coleção exerceu um papel de formação muito importante na vida dos alunos, estimulando-os à leitura, trazendo em cada volume, um “Suplemento de Trabalho” com atividades didáticas sobre a obra.

Voltada principalmente para o público infanto-juvenil, a Série Vaga-Lume imprimiu qualidade em seu conteúdo, tornando-se referência para inúmeros leitores e contando com um time de grandes e influentes autores, como Marcos Rey, autor de 15 títulos, dentre eles, Enigma da Televisão, O Mistério do Cinco Estrelas, Um Cadáver Ouve Rádio, Sozinha no Mundo; Maria José Dupré, autora do clássico Éramos Seis – adaptado três vezes para a TV – e também de A Ilha Perdida (O primeiro da série e mais vendido), A Montanha Encantada e A Mina de Ouro; Lúcia Machado de Almeida, autora de O Escaravelho do Diabo – recém adaptado para o cinema nacional – e Aventuras do Xisto, Xisto no Espaço, Xisto e o Pássaro Cósmico, O Caso da Borboleta Atíria e Spharion; e Marçal Aquino – A Turma da Rua Quinze. Do ano em que foi oficialmente lançada até 2013, foi composta por 127 títulos: 102 da coleção Vaga-Lume e 25 da coleção Vaga-Lume Júnior (lançada em 1999).

Um dos motivos que tornaram a coleção tão popular foi o ótimo preço, acessível a todas as camadas sociais. Além disso, sua formatação era agradável e de muito fácil compreensão. Pautadas em aventura, romance, fantasia, suspense e mistério, algumas de suas obras eram estrategicamente personalizadas: com textos menores, letras maiores e mais ilustrações, eram especificamente direcionadas para o público infantil; com histórias mais atrativas e maiores textos, para o público adolescente.

As capas eram um capítulo à parte. Mesmo sofrendo quatro reformulações ao longo do tempo, a essência se manteve. Os projetos gráficos conseguiram perpetuar uma linha visual de raciocínio e, consequentemente, identificação.

O mascote da coleção, o vaga-lume Luminoso teve seu visual inspirado nos hippies, que pregavam uma ideologia de paz e amor, o sexo livre e o fim da guerra do Vietnã. O movimento surgido nos EUA, atingiu o auge no final dos anos 60 e a série teve seu início no início dos anos 70. Era notável a referência. A versão atual foi redesenhada com base nas encarnações anteriores e seu comportamento no decorrer das décadas. Segundo Marcelo Martinez, designer responsável pelo atual layout da série, o Luminoso mudou pouco, ganhando uma forma mais infantil e de acordo com da idade dos leitores: “Eu queria trazer ele para os dias de hoje, com um visual mais dinâmico. Agora ele veste camiseta preta e all star, e a lâmpada foi posicionada para ficar mais com cara de mochila. Mas se você comparar com as versões anteriores, verá que a essência do personagem ainda está lá (ok, ele não é mais hippie, mas…). A grande questão é que o Luminoso agora é aplicado como uma marca, um ícone da série.”

A Editora Ática obteve uma maior visibilidade após o sucesso da série. Apesar de não divulgar números, há registros de que os livros atingiram 7,5 milhões de exemplares vendidos, sendo A Ilha Perdida, publicado por Maria José Dupré em 1944 e incluído na primeira leva da Vaga-Lume, o best-seller da coleção, com 3,5 milhões exemplares.

Seguindo os novos rumos do mercado editorial, há a promessa de ter toda coleção relançada brevemente em formato digital. Uma ótima notícia aos velhos novos admiradores e fãs de uma série que marcou a época e as lembranças de muita gente.

 

Acesse: https://doquartodevitor.blogspot.com.br