Sim, precisamos nos adaptar aos novos rumos da tecnologia. Nem sempre por vontade, mas por necessidade. Não acredito que os jornais e os livros físicos possam vir a se extinguirem um dia, porém outros meios de acessá-los serão sempre bem-vindos, considerando a correria dos atuais e futuros dias.

Os conservadores de plantão resistem ao máximo qualquer tipo de ameaça ao estilo tradicional e são capazes muitas vezes de os atacarem, com críticas e argumentos mais apaixonados que elaborados.

O prazer de folhear um jornal em busca de notícias recentes foi substituído, ao longo do tempo, pela instantaneidade do furo, assim como, ainda é muito prazeroso o hábito de frequentarmos livrarias, manusearmos exemplares novos e clássicos, sairmos felizes do estabelecimento com um ou vários livros numa sacola. Tais sensações são imensuráveis e insubstituíveis. Entretanto, nada impede que possam ser adaptáveis.

Eu me considero um ser retrô. Gosto de alguns novos velhos hábitos. Infelizmente, vivo num mundo efêmero onde nem sempre podemos agir com naturalidade seguindo os nossos próprios princípios. A qualidade do viver tornou-se comprometida. E o que fazer para não abrirmos mão das “horinhas de descuido” (“Felicidade se acha é em horinhas de descuido” – Guimarães Rosa)? Flexibilizarmos nossa rotina em prol do antidesperdício. Podemos inserir os novos mecanismos sem abrir mão da nossa essência comportamental. Dessa forma, o e-book entrou na minha vida sem que eu deixasse de consumir os livros físicos. Tenho muitos ainda enfileirados, mas é impossível ler em conduções a caminho do trabalho. Essas, cada vez mais insuportáveis e sem estrutura para leituras, descansos e afins.

Resisti por muito tempo a adquirir um e-reader. Pesquisei feito um louco, em artigos na internet, suas vantagens e desvantagens, como o custo-benefício. Baixei aplicativos como forma de teste para ver se me sentiria atraído e familiarizado com tal ferramenta. E o resultado foi: encantamento. A praticidade é enorme e deveras viável. Sem falar na capacidade de armazenamento e a longa duração da bateria. Sim, meus amigos, eu recomendo. Hoje, confesso, leio muito mais e mais rápido que antes. Aqueles, os tradicionais, ainda estão em minha estante e continuam tendo a mesmíssima importância que sempre tiveram.  Percebo que isso afetou o meu comportamento, trazendo para os meus dias, uma melhor disciplina e organização. Já não tinha mais espaço para guardá-los. Deixei de comprar os físicos, optando pelas versões digitais. Os da estante foram promovidos à minha cabeceira e, sem ressentimentos, todos eles passaram a frequentar, diariamente, minha vida corrida.

 

Não importa como ler. A leitura é fundamental de todas as maneiras, a qualquer tempo, em todas as idades. E a tecnologia não deve ser uma restrição ao novo mundo, mas uma viagem a todas as gerações e o principal acesso à nossa tão sonhada liberdade.

 

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