Superman 80 anos | Grandes Astros - Encadernado



Hoje é dia 18/04 (com sorte o texto irá ao ar no dia certo). No Brasil, comemora-se o Dia do Livro Infantil, uma justa homenagem ao seu principal expoente, Monteiro Lobato, que todo leitor que se preze já conhece. No Zimbábue, comemora-se o Dia da Independência. E no MUNDO comemora-se o aniversário do Superman. Sim, NO MUNDO, pois estamos falando do primeiro, do marco inicial, de um ícone cultural que já não está mais restrito ao papel impresso, passando a figurar no imaginário coletivo da humanidade, como referência e aspiração de heroísmo, altruísmo, bondade, otimismo e valores.

Nas palavras do próprio Jor-El, você dará às pessoas um ideal pelo qual lutar. Elas hão de correr atrás de você, vão cambalear, vão cair. Mas no tempo certo, hão de unir-se a você no sol. Quando for hora, você os ajudará a realizar maravilhas.” O que mais eu poderia dizer?

Neste 2018 completam-se 80 anos do lançamento de Action Comics #1. De lá pra cá, milhares de histórias foram contadas, seja nas páginas dos gibis, na TV, no cinema. Aceito então o desafio de, entre todas elas, escolher UMA. Aquele que para mim representa tudo que há de melhor sobre o Último Filho de Krypton. A história que passeia com maestria sobre toda a mitologia do personagem, sem descartes e modismos passageiros. A história que inclusive dedica um capítulo para mostrar – dentro da própria história –  dois jovens cartunistas mudando o mundo com lápis e papel.

Grandes Astros Superman (All-Star Superman, no original) foi publicado em 12 edições entre novembro de 2005 e outubro de 2008, sendo compilada e encadernada diversas vezes, e em diversos formatos, desde então. A trama é bastante simples: Superman descobre que só tem mais um ano de vida e decide realizar algumas tarefas nesse tempo. Essa simplicidade surpreende ainda mais quando sabemos que a história é de autoria de Grant Morrison, conhecido por apresentar narrativas nada convencionais e muitas vezes de difícil compreensão numa primeira leitura. Aqui, todavia, a dificuldade ficou toda no teclado de Morrison, que se esmerou em exponenciar as características do Superman, num texto ágil e agradável, deixando todo o brilhantismo para o próprio herói, complexo por si só.

Para acompanha-lo nessa empreitada, Morrison escolheu seu velho comparsa Frank Quitely, aqui num dos grandes momentos de sua carreira. A arte de Quitely é tão humana e mundana quanto heroica e surreal, retratando de forma atraente as lotadas ruas de Metrópolis e os desertos medonhos do Mundo Bizarro, numa riqueza de detalhes poucas vezes vista.  O capitulo em que Clark Kent visita (e salva, inúmeras vezes) Lex Luthor convida o leitor a admirar com atenção cada quadrinho e descobrir novas situações.

Todo o elenco coadjuvante do Superman tem seu momento e, a exemplo do protagonista, tem sua bagagem respeitada e referenciada. Jimmy Olsen, Lois Lane, Jonathan e Martha Kent, Krypto…sim! O Super Cão, conceito tido por datado e infantil, descartado sem dó por alguns autores, também tem aqui a sua melhor história. Quem é cachorreiro (como eu), pode se preparar para aquele nó na garganta, no mínimo.

John Byrne, Dan Jurgens, Jerry Siegel, Cary Bates, Elliot S! Maggin, Alan Moore, nenhum deles conseguiu fazer o que Grant Morrison apresentou aqui. Todos esses nomes (e outros mais) foram importantes e contribuíram com partes dessa história que hoje atinge 80 anos, mas só Morrison conseguiu aproveitar o melhor de cada uma delas em seu próprio pacote, com respeito e genialidade, estabelecendo essa obra definitiva, obrigatória na coleção de qualquer fã de quadrinhos.

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