Após anos e mais anos de conversas inacabadas e entraves contratuais, a Sony e a Marvel finalmente chegaram a um acordo para o retorno do sempre querido Peter Parker para as telonas. A Marvel acerta em todas as decisões para o filme, coisa que a Sony não conseguia fazer faz tempo, tanto no casting de Tom Holland para o aranha, quanto no de Michael Keaton para seu antagonista.

Holland traz para o filme a real essência do Aranha, que por anos estava perdida em Manhattan. Com sua atuação muito excêntrica e espontânea, o amigão da vizinhança cumpriu exatamente com o que se esperava desde o anúncio de seu casting. Podemos dizer o mesmo de seu “guy in the chair” que foi um amigo muito melhor do que Harry Osborn jamais fora antes, afinal, A química que os dois tiveram nesse filme é impressionante, tratando-se de um filme que se passa no colegial.

O roteiro escrito por Jon Watts e Jonathan Goldstein acerta com maestria nas partes importantes da história, dando assim uma melhor fluidez ao roteiro, como na cena em que nos é revelada a origem do aranha, através de um diálogo simples entre Peter e Ned, nos poupando de cenas desnecessárias de Flashback.

As mudanças feitas pelos roteiristas acabaram por tornar o Abutre, de um vilão medíocre para um dos vilões mais bem construídos de todo o universo dos Estúdios Marvel (Méritos sejam dados a ideia de criar a motivação do vilão, sendo ela uma das mais plausíveis de todos os filmes de herói).

O ambiente high school em que se ambienta o filme, dita praticamente todo o andamento do enredo por limitar a Peter os momentos em que pode matar aula para cumprir com seus deveres ou até mesmo ir em uma excursão com o time de debate para poder seguir com sua investigação.

Apesar de quase a totalidade dos pontos vitais do longa serem positivos, e da boa vibe que o filme trás para quem está sentado à frente da telona, quando as luzes se acendem não nos dá aquele gostinho de quero mais que todos os fãs de quadrinhos gostariam. Não consigo encontrar um ponto específico que causa essa sensação, mas acredito que seja uma consequência do conjunto da obra com a sobres saliência da trilha, que conta com autoria de Michael Giacchino, e que apesar de ser bem construída e empolgar com o tema clássico da animação dos anos 60, totalmente repaginado, acaba falhando em proporcionar aquele famoso “wooow” e pior ainda, marcar as nossas memórias.

Com muitos acertos na história e no casting, e contando com uma bela fotografia, uma boa trilha, o longa vai te divertir nas salas de cinema assim como quase todos os filmes da Marvel, mas diferente dos primeiros filmes que vimos do estúdio e parecido com os últimos, não é o filme que o público sai super empolgado do cinema com vontade de ver mais.