Sessão Netflix | Séries Gringas - Rita



A série da Netflix, Rita, sai do lugar comum, para encontrar uma protagonista que se humaniza diante das desastrosas cenas cotidianas, envolvidas em sua vida pessoal, e como professora de uma escola.

É uma série dinamarquesa, onde os costumes são diferentes dos brasileiros. Por isso, vale a maratona. Talvez a sociedade atual, das terras tupiniquins, pode chegar nessas condições, se já não chegou. Mas, a escola deste país caminha para os mesmos dramas das categorias retratadas em Rita. Só por isso, é um tema que interessa a todos, e que, de certa forma, retrata a espécie de sociedade que se vive.

Mille Dinesen, Rita na série, foi ganhadora de prêmio no Festival de Televisão de Monte Carlo, na categoria de Melhor Líder Feminino. E a série recebeu nomeações para produtores (Karoline Leth e Jesper Morthorst), roteirista (Christian Torpe) e Melhor produtor Internacional.

Rita, através da humanização de seu personagem, traz os desafios de uma mulher moderna, que sustenta sua casa e encaminha seus filhos, com uma bagagem de maus tratos e abandono de sua família. E por isso tem vícios e comportamentos promíscuos. E, quanto mais se adentra nas histórias, pode-se enxergar, os erros de mães do cotidiano do país.

Assim, a história esdrúxula, dá uma lição de vida, quando se compreende as razões de todos os problemas que a personagem tem. E como, na simplicidade, ela consegue resolver suas questões mais íntimas, ganhando a admiração de todos os que a cercam. Mesmo seus filhos, que tem um distanciamento emocional, acabam por compreender as limitações dessa mãe e passam a ajudá-la.

Na terceira temporada, ela se muda para a escola que foi de sua infância, onde sofreu com o abandono da mãe e o abuso do pai alcoólatra, e depois, o abandono dele também, tendo que viver em casas de amigos. E ainda assim, ela comete os mesmos erros de seu pais, o que a leva a ser difamada e fazer muitas concessões em sua vida, pelos erros cometidos.

Falando do lado psicológico de Rita, pode-se dizer que ela nunca pode contar com sua autoestima resolvida, durante todos os episódios. E isso faz a série muito interessante. Porque o recorte que a saga conduz, é exatamente o de uma mulher que tenta acertar, com um aprendizado passado, desastroso. Sem repertório de bons modelos, ela inova e constrói relações de cumplicidade com os alunos e professores que tem problemas, trazendo uma luz para os que vivem na marginalidade. Nisso a série é brilhante. É assim que se faz uma inclusão. É assim que se constrói relações de confiança com as comunidades carentes.

Hjørdis (Lise Baastrup) é sua parceira. E tem seus métodos de ensino próprio. Contrapondo a Rita, ela revela essas incongruências que a vida traz a personalidade da protagonista. Como uma referência ao avesso, Rita é adorada pela amiga. E muitas vezes revela o bom senso, que Hjørdis não é capaz.

O diretor Rasmus (Carsten Bjørnlund) também adora Rita, mas, pelo cunho sexual que tem suas relações na escola, não deixa que isso apareça. Precisa criar um triângulo, com a coordenadora educacional, Helle (Ellen Hillingsø), para seu disfarce.

Um dos filhos de Rita culminam nas escolhas impensadas de relações homossexuais, sem dar a maturidade, a chance de trilhar um caminho relacionado à identidade própria de amadurecimentos, diante das discriminações que sofre.

A outra filha, que tem dislexia, também não é tratada adequadamente. E nisso aparece as discriminações e abusos que sofre por conta das diferenças.  Mas, tudo isso é tratado de maneira leve, sem deixar que o aprofundamento do assunto fique superficial. O tom da série faz rir. Contudo deixa seu recado.

Na sociedade, a brutalidade das histórias das pessoas, abre as portas para os desencontros e comportamentos inadequados. E todos somos espectadores dessa trama, que se desenvolve no vizinho, no companheiro da escola, sem que se tenha uma ação de reparação à esses dramas vividos.

Então, ao final da série Rita ganha um prêmio. O reconhecimento dos pais para gerenciar sua escola.  E nisso a série também arrisca uma cartada. É, apostando em parceiros, que passaram pelos mesmos problemas e podem fazer acontecer, através de ações reais na sociedade, que ela pode se modificar.

 

 

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