Sessão Netflix | Call The Midwife - Série BBC



Call The Midwife (Chame a Parteira) a série inglesa, produzida pela BBC, tem um fundo histórico. É baseada na trilogia de Jennifer Worth, que conta sua história, como enfermeira parteira, num bairro popular da Londres de 1950. Vanessa Redgrave é a voz que aparece ao final, desenhando a história das personagens, que retiram a lição de vida, dos acontecimentos cotidianos.

Nessa série, vemos a mulher desse tempo, sendo retratada, com todas as complexidades de uma vida pobre e sem recursos. O convento Nonnatus House constrói um atendimento para as mães desse povoado, através das enfermeiras treinadas para fazer o parto em suas casas.

A cada chamada é um drama que se aprofunda na história de como as mães suportavam as complicações de seus partos, ajudados pelas experientes enfermeiras, para darem a luz a seus bebês.

Quem gosta de temas médicos, essa é uma série que retrata todos os problemas de assistência dessa época. Como a talidomida, a tuberculose e o nascimento de bebês prematuros.

Ela traz o retrato da mulher sem voz ou direito, de sua época. E fala dos conflitos de ser esposa ou abraçar uma profissão, ações divergentes, nessa etapa da história.

Essas parteiras se unem para dar conforto às gestantes, ao abrir um espaço para atendimentos mensais. Até chegar o médico que não encostava a mão nas pacientes. Apenas receitava remédios ou fazia radiografias.

A série retrata, também, o começo do atendimento dos homens às mulheres, sempre acompanhados de uma mulher, que fazia os exames internos.

Assim para quem gosta da história da medicina e dos avanços nesse sentido, pode-se entender como essa transformação se deram. Na série, Dr. Patrick Turner (Stephen McGann) contratado, tem um drama de vida e por isso vai atender em Poblar, o bairro pobre de Londres. Lá, ele acha seu lugar no mundo. E junto com a enfermeira que o fez amar a vida novamente, desenvolve um carinho e uma certeza de que aquele é seu espaço, apesar das muitas angústias que tem em relação a sua profissão.

A personagem Jenny Lee (Jessica Raine) entra em cena como uma jovem despreparada, que não conhecia a pobreza e se vê desnorteada com a miséria e dificuldade, que as mães passam nesse lugar. A grande jornada é seu crescimento pessoal. Através do contato com as pacientes e suas condições miseráveis, passa a ter olhar humano, pregado pelas madres do convento, que já estavam no bairro há muito tempo. Criam uma esfera de bondade e amor que fazem toda a diferença para essas pessoas.

Chummy Browne (Miranda Hart) chega um pouco mais tarde para completar o time das parteiras e imprime sua marca pelo coração enorme. Mesmo, sendo criada pela aristocracia londrina, escolhe a vida de enfermeira para cuidar de outras pessoas e luta contra o distanciamento afetivo imposto na época. Podemos reconhecer muitas atitudes de pais e avós dessa etapa da vida nesse drama.  A intimidade é o forte dessa trama.

As irmãs e seus dramas pessoais são parte da história, indicando como eram valores e criação da época, deixa um marco na luta contra as discriminações ocorridas nesse tempo. A irmã Monica, traz um lado cômico à série encarnando uma velhice senil, que mais parece uma excentricidade, própria de quem foi uma das primeiras parteiras da Inglaterra, e tem muito para ensinar da vida, que está ao seu fim. Ao colocar a contradição do nascer e do final de vida, Vanessa Redgrave em sua Voice Over retrata uma das grandes transformações que acontece na sociedade, com a premissa da velhice como um lugar de sabedoria mágica. Irmã Monica é uma das salvadoras de muitas mães em partos complicados e difíceis.

A atenção às mulheres é um tipo de trabalho social que modifica a comunidade e as gerações futuras. É através desse apoio, onde a mãe se sentem protegida, acolhidas e amadas, que ela tem um suporte para sua transformação pessoal, como geradora de uma vida que segue seu fluxo, trazendo aos bebês um cuidado e uma educação com mais amor.

Quando essa sabedoria milenar se propaga, agrega novos conhecimentos e a mulher tem condições de criar padrões de amor e respeito em seu lar, ao receber de seu mundo a preparação para esse momento tão especial: a gestação. E a série retrata isso muito bem.

As grávidas têm a semente do embrião de uma sociedade mais justa e mais amada. Ela cuida do bebê que está nascendo e será a geração futura. Plantar uma semente de amor e desenvolvimento para ela, faz com que os filhos cresçam com a ideia de que, podem fazer acontecer, um mundo mais justo e cada vez mais humano.

As transmissão de padrões, que de geração a geração passa os conhecimentos necessários, geram conforto e bem-estar.  E proporcionam às grávidas saúde emocional e confiança, nessa época, de tantas transformações. Assim a série fala desse cuidar tão essencial para a mulher.  E quanto pode-se, através do apoio, dar sustentação às modificações para uma sociedade humana e mais justa.

“No Dia Internacional da Mulher deste ano, foi postada uma declaração na página sobre intuito que eles têm ao fazer a série alcançar milhões de telas ao redor do mundo (além de meramente entreter, é claro):

Call the Midwife coloca as mulheres no centro de todos os episódios, e as histórias delas na parte central do nosso mundo. O papel da mulher na sala de parto – e o aspecto positivo dos relacionamentos femininos visto de forma mais abrangente – tem sido frequentemente invisível na cultura popular. Ainda que a imensa popularidade do nosso programa demonstre que nossos telespectadores, homens e mulheres, veem isso como algo positivo e natural para um seriado mostrar. Esperamos que chegue o dia em que esse drama seja tão natural que não precise de uma menção especial – ou sequer um dia especial no calendário”.

O apoio dado nos programas do Sus e de convênios tem esse objetivo. Participar de grupos faz toda a diferença da vida da mulher.

 

Lia Helena Giannechini

www.crearevitecoachingemaes.com

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