Sessão Netflix | Billions - O que a série nos passa?



Ao assistir a terceira temporada de Billions, que está na Netflix, o espectador sai com a sensação de que o mundo não muda. Durante a trama da série, de enredo complexo e brilhante, sobre o universo de fundos de investimentos dos Estados Unidos, o que menos se espera é como o final se desenrola.

As críticas e comentários em relação à série, não traduzem o clima emocional, que desencadeia a trama. Billions retrata o embate entre Bobby “Axe” Axelrod (Damian Lewis) um gestor de um bilionário fundo de investimentos (Hedge Fund), e Charles “Chuck” Rhode (Paul Giamatti), um agente do governo (algo como o Procurador da República no Brasil), que em uma campanha contra o capitalismo inescrupuloso de Wall Street, foca Axe como seu adversário, nutrindo um caminho de perseguição ao bilionário.

A trama começa com a Wendy (Maggie Siff), sendo o suporte emocional de Bobby Axelrode, para encontrar as verdadeiras percepções desse magnata, que precisa ir ao mais profundo de suas características emocionais, para vencer sempre. E tem um prazer enorme nesse desafio de lidar com coisas desconhecidas, que o faz aprender todos dias uma nova condição. Isso é que o torna vulnerável, necessitando da ajuda de sua companheira psicóloga, para lidar com suas emoções e percepções. Nisso a série é brilhante. Poucas vezes se vê um trabalho tão bem feito, de interpretação psicanalítica e uma abordagem psicodinâmica tão bem aplicada em uma novela. Mas, quando Bobby (Damian Lewis) necessita de Wendy, para escolher suas transações, ele cria um triângulo. E nele se desenvolve a patologia do Chuck (Paul Giamatti), marido dela, de inveja, ciúmes, traição e desejo.

As críticas da série apontam o Axe, como um Lobo de Wall Street, com todas as nuances de falcatruas de uma empresa de capital financeiro. Mas, suas ações reproduzem o que é esperado para um magnata. E, ele mata e destrói tudo o que está em seu caminho, para acontecer seu sucesso. Contudo, é extremamente leal à seus funcionários e sua família. Porém, com a Wendy perde essa linha de conduta. E isso a torna especial ao olhos de Chuck. E ele inveja com toda sua força, esse lugar que Wendy representa para Axe.

E a série, mais uma vez, se agiganta, quando introduz um triângulo de especialidade, que não é sexual, porém tem todos os ingredientes de um triangulação amorosa.

Wendy como em todos os triângulos, absorve esse confortável esquema, de representar uma parte imprescindível na vida dos dois homens. E, através de um narcisismo muito bem retratado, faz com que essa disputa aconteça num plano de intimidade, inusitado.

O seriado aborda também, essa verdade do casamento, que se fragiliza diante de uma ligação mais forte de Axe, com Wendy. Criando com a mulher de Axe, um triângulo cujas consequências são a alienação da mulher, diante da necessidade da psicóloga nas relações empresariais. Lara (Malin Åkerman) se perde quando vê que sua força de convencimento é menor que a da Wendy, em relação ao marido.

A cada transação ganha, Axe fortalece o vínculo com a Wendy, que chega a ser separada da empresa, mas, não deixa de ter o papel de articuladora desse triângulo.

Axe, tem um amigo, para todas as obras. Ele sim, sabe de tudo o que se passa. E alerta, muitas vezes Axe, que não lhe dá muito crédito.

A relação fica muito tensa no episódio de aniversário do Axe. Quando Wendy está afastada, mas resolve dar o troco à mulher de Axe, que pisa com prepotência sobre a relação com o marido. Trama, mais que conhecida no nosso mundo. Pisou, ganhou o troco. E nesse troco, as crianças envolvidas perdem a união da família. A série faz uma crítica nesse ponto, contundente. Os pais seguem seus mundos e os filhos ficam à deriva dessas relações, tornando-se moeda de troca entre o casal.

Em nenhuma crítica da série aparece, esse olhar social que a série digere. No mundo dos bilionários, a criação de filhos e famílias se desmontam, pelo necessidade de se obter cada dia mais, o valor monetário. E além do próprio dinheiro, o status social fala mais alto pelo posicionamento dos índices de seu patrimônio.

Os personagens são muitos. Como o procurador do leste, amigo de Chuck e parceiro na caça ao Axe e seu subordinado, que o enfrenta e transfere todas as falcatruas que Chuck necessita fazer, para pegar o Axe, para o procurador geral. E mesmo assim, Chuck ganha o cargo de procurador. Jogo de política suja, que o judiciário abarca, para manter seu status de julgador de uma sociedade corrupta que promove a relação do judiciário com a comunidade.

A série entrega uma lição. Ao lidar com números, se perde a essência de todos as relações humanas saudáveis. A transgressão, faz parte do cotidiano na política, na empresa e na cabeça do CEO, para encontrar um caminho de crescimento sem limites.

 

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