Review - Mass Effect Andromeda



Depois de uma conclusão digna de cinema de uma das maiores sagas dos games de todos os tempos, muito se especulou sobre qual seria o destino da franquia Mass Effect, já que no terceiro jogo nosso querido Comandante Shepard chegou ao seu destino final.

Com mais de 5 anos de produção e um investimento de US$ de 40 milhões de dólares, o hype acerca de Mass Effect Andromeda estava imenso e todos os fãs da franquia e amantes do gênero espacial estavam muito empolgados. A premissa de explorar novos universos e embarcar em uma jornada pelo desconhecido animaram muito. Mas o resultado final acabou se provando tão catastrófico quanto o tamanho das expectativas.

Lançado mundialmente no dia 23 de março deste mesmo ano, e contando com produção da gigante dos RPGs Bioware, Mass Effect Andromeda é o primeiro game da franquia a tomar cena em uma outra galáxia e a ser protagonizado por outros personagens que não o comandante Shepard e sua equipe de heróis.

O storyline toma cena no ano de 2135, entre os eventos de Mass Effect 2 e 3, e mostra a história do comandante Ryder e sua tripulação de Pathfinders, que congelados em criogenia durante centenas de anos luz, viajam até a galáxia de andrômeda com o propósito de começar uma colonização composta pelas principais raças da via láctea, já apresentadas nos games anteriores, coletando informações e estabelecendo conexões com a citadela e as grandes civilizações deixadas para trás.

Completamente alheios da ameaça Reaper e sem contato nenhum com o que foi deixado para trás, eles acabam descobrindo que a Galáxia de Andrômeda está longe de ser o paraíso que imaginavam, e que uma nova ameaça se espreita por entre os planetas inóspitos e desconhecidos, sem deixar recado de boas vindas.

Apesar de inovadora, eletrizante em vários momentos e repleta de pontos altos, a storyline possui muitos furos ao longo do enredo além de uma carência absurda de personagens marcantes e momentos de escolha de fato significativos. Ao contrário da trilogia inicial, em que cada escolha pesava e muito para o progresso da história, e onde havia uma continuação de saves entre os jogos, Mass Effect Andromeda possui uma história quase que linear, onde não importa quais sejam as suas escolhas, os resultados acabam sempre que sendo os mesmos.

Os irmãos ryder, que são os grandes protagonistas da história, são personagens mal concebidos, dotados de personalidades muito rasas. Apesar da dublagem impecável dos atores de voz, um ponto recorrente em toda a saga, eles possuem metade do carisma e do heroismo que o comandante Shepard era dotado e pouquíssima influência nos eventos do enredo.

As outras personagens não ficam muito atrás e são igualmente pouco memoráveis. Muito embora dotados de ótima dublagem, seus visuais são genéricos e a importância para a história é tão rasa quanto a dos protagonistas.

A gameplay é completamente diferente da trilogia inicial e nos traz uma série de recursos novos, a começar pelo universo todo construído em tecnologia Frostbite, o que nos possibilita o acesso a mundos com mapas que não são lineares e possuem grandes áreas exploráveis. Além disso, é adicionada uma nova dimensão ao jogo, já que é possível realizar grandes saltos através de um colete jetpack.

Outro recurso muito legal que não é inédito mas acrescenta um grande diferencial no game, é o retorno de veículos dirigíveis, esteticamente similares ao Mako de Mass Effect, mas que conseguem andar em uma série de variações de terreno e que são extremamente úteis na locomoção das personagens e na proteção contra a radiação de alguns planetas.

Um outro ponto forte do jogo são as batalhas, que foram completamente reformuladas e contam com um dinamismo e precisão muito maiores, além de uma maior variedade de armas. Com mecânica similar a jogos famosos de FPS da Electronic Arts como Battlefield 1, os momentos de batalha são empolgantes, divertidos e muito mais realistas, quanto comparados aos antecessores.

Ainda sobre os recursos que o jogo oferece, parte da exploração que o jogo exige do jogador, está na coleta de dados e rastreamento de espécimes e de monumentos ancestrais e tecnologia antiga dos povos extintos da Galáxia de Andrômeda. Ao longo do jogo, uma série de novos personagens e sobreviventes da iniciativa Andrômeda são apresentados, mas um ponto extremamente negativo no jogo é o fato de que somente UMA nova espécie inteligente é acrescentada ao jogo. Ao contrário dos primeiros jogos em que novas espécies e civilizações eram constantemente apresentadas e adicionadas, em Mass Effect Andrômeda quase tudo é mais do mesmo – o que cai totalmente em contradição com a premissa de explorar o desconhecido e descobrir novos mundos.

Outro ponto negativo e que deve ser levado em consideração, é que as tentativas da Bioware de incluírem representatividade em seus jogos foram mais uma vez extremamente fracassadas. As opções de relacionamento entre personagens do mesmo sexo são escassas (principalmente casais homossexuais masculinos) e possuem cenas de romance extremamente fracas e frias, quando comparadas as dos casais heterossexuais.

Mas nada estraga mais o game Mass Effect Andrômeda do que os visuais do jogo. Se por um lado somos presenteados com gráficos incríveis e texturas muito belas, a ponto de gargalarem e muito em sistemas com placas de vídeo inferiores à GTX 1050 e consoles standard como o Xbox One, tanto as animações de rosto quanto os visuais das personagens são horrendos e muito mal modelados. Apesar do alto investimento da produtora, e da aposta (completamente fracassada) em um novo time de produção diferente dos responsáveis pela trilogia inicial, assistir aos personagens esboçando reações ou conversando é o mesmo que enfiar agulhas nos olhos e acaba prejudicando completamente a experiência de jogo. Se você é um jogador crítico e que leva gráficos e performance a sério, Mass Effect Andrômeda é um belo fracasso a ser evitado, afinal, mesmo apos as dezenas de tentativas da Electronic Arts em corrigir os erros através de extensas atualizações, a versão finalizada de Mass Effect Andrômeda continua horrenda e mal animada. Se por um lado temos uma ótima dublagem, carregada de drama e emoção, as animações faciais não são nada condizentes e estragam completamente a experiência de jogo.

Por fim, Mass Effect Andrômeda fracassa mais uma vez, desta vez em nos entregar uma trilha sonora tão memorável quanto a da trilogia inicial. Mantendo o mesmo estilo épico dos antecessores, que mistura uma série de elementos futurísticos e de Synthpop, ela falha em nos entregar musicas marcantes, a começar pela musica tema do jogo que até empolga – mas nunca, jamais, chega aos pés da musica tema da trilogia inicial.

Veredicto:

 

Criado para bater de frente com os RPGs de sucesso do mercado atual e dar uma nova cara para a saga, afinal, o comandante Shepard acabou se tornando muito maior do que a própria trilogia ao qual ele faz parte, e nós entendemos perfeitamente o perigo que isso representa para a sobrevivência a longa data de uma franquia, Mass Effect Andrômeda falha miseravelmente em trazer algo tão grande e relevante quanto seus antecessores.

Com uma série de pontos baixos que ofuscam os altos, uma série de defeitos que prejudicam os novos recursos, Mass Effect Andromeda é sem dúvidas o pior lançamento do ano e uma grande decepção. Se você é novo na franquia, pode até ser que consiga extrair algo de bom. Mas para os veteranos da Normandy que esperavam a mesma dose de aventura, drama e emoção, recomendamos que vocês deem replay na trilogia inicial, já que a própria EA Games se recusa a lançar um remaster e é incapaz de dar um reboot digno.