Review - Cuphead



Cuphead: don’t deal with the devil, game do ainda pequeno estúdio MDHR, foi lançado na última sexta-feira (29/09/17) e com certeza já pode ser considerado um clássico moderno. A aposta dos desenvolvedores em um visual baseado em animações antigas, um gameplay que remete a clássicos como Mega Man e Contra, incluindo a dificuldade desafiadora, colocam esse game como uma das maiores surpresas do ano. E sendo bem sincero: é o um dos games mais divertidos de 2017.

Não se engane com as animações “bonitinhas”, pois o enredo do jogo pode te surpreender: Cuphead e seu irmão Mugman, estavam passeando pela floresta quando encontram um cassino. Eles decidem entrar e jogar, o que parece uma boa ideia, principalmente porque eles estão com uma sorte incrível nos dados. Após uma sequência de vitórias dos irmãos, o gerente do cassino (King Dice) avisa ao seu patrão sobre a sorte dos irmãos, que resolve acabar com a farra. O que os protagonistas da história não esperavam era que o dono do cassino era o próprio Diabo, que aposta todo o lucro do cassino, pelas almas dos irmãos. Obviamente eles perdem, e ao implorarem para que o Diabo não leve suas almas, ganham uma missão: se eles cobrarem todas as dívidas para o ele, a deles estará paga.

Após esses eventos, você controla Cuphead (o player 2 local controla Mugman) por um mundo que lembra muito o de Super Mario World, porém existem uma liberdade para selecionar qual fase irá fazer primeiro. Isso acontece pois não há uma progressão de dificuldade conforme o avanço dos níveis, ou seja, conforme você avança, o jogo não fica mais difícil ou mais fácil, o que ocorre é a mudança do cenário e do desafio. Isso dá uma sensação estranha, que beira a frustração, porém é tão satisfatório vencer uma Boss Battle que é natural perder algumas horas jogando.

Em uma rápida pesquisa na internet você já encontra memes referentes a dificuldade do jogo e aqui fica um relato pessoal: eu demorei cerca de 1 hora para passar de um chefão do primeiro mundo do jogo. Isso significa que o jogo é impossível? Não, significa que para jogadores mais casuais, o jogo é bem desafiador (e para gamers hardcore também é, não se engane). Vale ressaltar que não é impossível, pois se você treinar seus reflexos e tiver disposição para memorizar os padrões de ataque dos chefões, é possível zerar o jogo em algumas horas. Após zerar, é possível jogar tudo de novo numa dificuldade ainda maior (aqui sim é impossível).

O jogo tem dois tipos de fases: as de plataformas, como se fosse um Mario, e os chefões, que é onde as coisas realmente esquentam. Por falar neles, eles são muitos e bem variados, com alguns deles referenciando grandes personagens como Brutus (Marinheiro Popeye), Betty Boop e Pica Pau. Além do visual, o que chama a atenção é a diversidade de desafios que eles proporcionam: cada chefe possui uma série de ataques e padrões que diferem conforme a evolução dentro da batalha, e também há uma mudança de padrão conforme o jogador vai perdendo e tentando de novo. O vilão final é um capitulo a parte e faz jus ao que seria uma luta contra o próprio Diabo.

Com uma gameplay simples, personagens cativantes, música e ambientação magníficas, o grande trabalho dos desenvolvedores da MDHR deve ser reconhecido. Um estúdio minúsculo, com cerca de 20 pessoas trabalhando para produzir esse jogo. O detalhe que mais chama a atenção sobre a produção é que os desenhos, caligrafia dos textos e até a pintura do jogo foi feita à mão. Esse trabalho artesanal de criação levou seus desenvolvedores ao limite, tanto que os irmãos Moldenhauer, criadores do game, tiveram que hipotecar a casa e largar seus respectivos empregos para finalizar o game.

Veredito:

Cuphead é mais que um jogo indie com dificuldade elevada, ele é uma metáfora da sua própria criação: toda dificuldade e luta, é recompensada no final. Imagino que seus criadores devem estar com um sorriso que não cabe no rosto, e é muito merecido. Um clássico moderno e que já merece uma continuação, esse é um fortíssimo candidato a melhor game indie do ano.