É verão em Maycomb.

Durante boa parte deste bildungsroman (romance de formação), é verão em Maycomb e as crianças Finch e Harris estão de férias. Suas aventuras são inocentes. Scout, Jem e Dill se divertem, sempre com o mistério por trás de Boo Radley – o vizinho que nunca sai de casa. Claro, eles vão para a escola entre um verão e outro, mas nem por isso suas vidas se tornam pacatas.

Jean Louise (mais conhecida como Scout) ainda está começando sua vida escolar, tendo muito a aprender, portanto, sua curiosidade é aguçada, uma característica importante da personagem. A narração se dá por parte de Scout já adulta, relembrando alguns de seus anos de infância. Por isso, a obra tem um tom especial de inocência.

Órfãos de mãe, Louise e Jem são criados por seu pai, o advogado Atticus, com a ajuda de Calpúrnia,  uma empregada que faz as vezes de mãe das crianças – embora pessoas de fora do círculo de amizade dos Finch e familiares distantes digam que uma negra não deveria criar filhos de brancos.

Ambientada na década de 1930, a obra não só nos leva a acompanhar parte do crescimento de três crianças, como também nos mostra a vida dos negros na época. Racismo e injustiça são os fatores básicos da crítica escondida nas entrelinhas da obra.

Como advogado, Atticus está incumbido de defender um negro – Tom Robinson – acusado de estuprar uma jovem branca – Mayella Ewell -, enquanto os residentes de Maycomb se dividem em duas partes: uma de maioria negra, que defende Tom, mas pensam que Atticus já perdeu a causa; e outra branca, que diz ser um ultraje Atticus ter aceito defender um negro.

Dentre tantos personagens, somos levados a amar e odiar em diferentes níveis. Os Ewell são, na minha opinião, um grande alvo de repugnância, enquanto Arthur Radley é amado e temido, dependendo da parte do livro.

Não gosto de dar muitos spoilers, portanto apenas digo que O Sol é Para Todos é uma obra que marca um ponto de transição na vida dos leitores: antes, muitos não pensam nos assuntos por trás das histórias, mas depois, sempre ficaremos atentos.

Esta obra de Harper Lee nos ensina tal amadurecimento, pois trata de colocar na narração fatores, em sua maioria banais, da vida de três crianças, enquanto mostra fatores importantes daquela pequena cidade na década de 30. Somos levados a pensar, julgar e analisar com melhores olhos o preconceito, ao mesmo tempo que nos apaixonamos pelas três crianças inocentes que brincam no jardim dos Finch, tentando descobrir o mistério de Boo Radley e convivendo com vizinhos adultos.