Cultura | A primeira vez no Theatro Municipal, ouvindo Laranja Mecânica



Quando era criança, eu sempre passava enfrente ao Theatro Municipal de São Paulo — Sim, escreve com “th” o seu nome — e nunca tinha entrado naquele lugar. Era lindo de ver, eu olhava e ficava impressionado com tamanha beleza de um só lugar. Queria entrar ali! Mas nunca entrei. Morava relativamente perto, mas nunca tinha sentado naquelas poltronas. Até que um dia eu deixei esse “nunca” de lado e fui realizar esse desejo meu.

Fui convidado por uma amiga da faculdade, ela tinha me informado que aconteceria de forma gratuita um concerto sobre Laranja Mecânica naquela noite de 23 de fevereiro, no Theatro Municipal, e me chamou para assistir. Fiquei pensando se valeria a pena, se não era melhor ficar em casa descansando depois de um árduo dia de trabalho, se não era melhor fazer os meus trabalhos… Mas deixei a má vontade de lado e resolvi ir a este espetáculo.

E cheguei a tempo. Se eu demorasse mais três minutos talvez nem entrasse no concerto, tamanha era a fila e a rapidez que esgotou os ingressos. Mas tudo conspirava para que eu conhecesse aquele belo lugar.

Chegada a hora de entrar no Theatro, minha amiga e seu namorado foram para os seus lugares, enquanto eu ia para o meu. Eles na plateia e eu no anfiteatro. Quando eu subia as escadas, só conseguia reparar nos detalhes da linda arquitetura do lugar, não tinha como ser mais bonito. Pinturas espetaculares, esculturas magníficas; tudo um luxo!

Ajeitei no meu lugar — que não era um dos melhores, mas para mim estava perfeito — e comecei a prestar atenção nos músicos. E que concerto formidável! Escolheram uma trilha sonora muito boa de um clássico dos cinemas, e durante a apresentação rolava trechos do longa em um telão. Não conseguia ser melhor a primeira vez no Theatro Municipal.

Mas tudo o que é bom dura pouco. O tempo passou tão rápido que nem tinha percebido que passei quase três horas lá dentro. No cainho de casa só conseguia pensar em quão incrível foi aquele momento, e nunca esquecerei desse momento. Tenho que reconhecer que esse convite está no Hall dos melhores já feitos para mim, muito obrigado Dayane Barbosa.