Os Games eram assim. Nós, como somos?



A evolução dos jogos eletrônicos é visível e ultrapassou todos os limites da tecnologia. Quando paramos para lembrar os primórdios do tradicional videogame, chegamos a nos assustar com tão rudimentares plataformas. Podemos presenciar um estágio impressionante de incredibilidade. Os recursos, em relação a realidade atual, eram escassos, simples demais diante dos atuais disponibilizados no mercado. À época, era o suprassumo da modernidade. Quem diria!

Do “Telejogo”, passando pelo Atari 2600, Master Systen, Phanton Systen, Mega Drive, Super Nitendo e tantos outros aos atuais Playstation, Xbox One, todas as tentativas de entreter o público consumidor despertaram interesses subjetivos. O hábito de jogar vídeo game percorreu várias gerações e convive perfeitamente com as mais recentes. A prática independe da idade e do sexo. Alguns acompanharam o desenvolvimento dos jogos e se adaptaram naturalmente às novas tendências. Outros, optaram em ser órfãos do passado, resistindo aos novos conteúdos.

Como vivemos uma democracia cultural, onde o passado retorna ao presente, viabilizando projetos futuros, nem tudo está perdido para esses resistentes jogadores. Há pouco tempo, o Atari – principal game dos anos 80, que praticamente popularizou o consumo do videogame no Brasil – retornou ao mercado junto ao Master System e Mega Drive – estes, as vedetes dos anos 90 – em versões repaginadas, porém mantendo a essência original. Essa volta permite uma satisfação aos usuários mais conservadores que não se adaptaram aos formatos recentes, além de ampliar a oferta de diversão, apresentando à uma nova geração o que já foi moda um dia. A famosa evolução do retrô ao cult.

Não há como definir se os antigos são melhores ou vice-versa. Tudo é uma questão de perfil, de estilo, de gosto, sabe lá. O que importa nessa onda de ir e voltar é que todo mundo fica feliz, curtindo seus melhores momentos diante daquelas coisas que marcaram suas vidas e poderão continuar marcando-as por muito tempo ainda.

O que não se pode deixar acontecer é que o fanatismo tome conta, ao ponto do prazer tornar-se um vício, interferindo na qualidade de vida das pessoas. O tempo destinado à prática do jogo não pode ser maior que as obrigações do dia a dia, que a convivência humana, até das necessidades fisiológicas.

Recentemente, pela primeira vez, tal vício passou a ser considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), um Distúrbio Mental. A 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID) irá incluir a condição sob o nome de “distúrbio de games” na edição a ser lançada ainda esse ano. Tal documento descreve o problema como padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em games, tão grave que leva “a preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida”.

O exagero, por vezes, acaba refletindo a falta de limite dos pais. Assim, é imprescindível que aprendam a preencher as rotinas de seus filhos, fazendo-os aproveitar cada momento de forma consciente e saudável.