Opinião de segunda | Com Amor Vincent



Quero comover as pessoas com minha arte. Quero que elas digam: ele sente profundamente, ele sente eternamente.”

Vincent Van Gogh, o genial e atormentado pintor de origem Holandesa, que transitou pelo impressionismo popular tornando-se postumamente um dos maiores gênios da arte moderna, teve toda sua essência artística trabalhada no filme, Com Amor Vincent. A obra é dirigida e roteirizada por Dorota Kobiela e Hugh Welchman, lançada em setembro de 2017, que surgiu primeiramente como um projeto de curta metragem, que se estendeu para o longa-metragem que mesclou as linguagens do cinema com a pintura.

A trama acompanha o protagonista Armand Roulin, que recebe a tarefa de entregar uma carta escrita por Vincent que nunca chegou às mãos do irmão. A tarefa é dada pelo seu pai Joseph Roulin, amigo pessoal de Vincent, incentivando-o a partir para a cidade Francesa de Arles na busca de informações a respeito dos familiares do artista. Em sua passagem por Arles, Armand dá início a uma investigação sobre o que teria levado o pintor ao suicídio, e em conversas com os moradores da região, detalhes sobre a vida do artista são contados através de flashbacks, construindo assim a trajetória do artista em seus últimos momentos. Entretanto essa jornada investigativa acaba sendo sem graça, e até mesmo maçante levando a um final inconclusivo, e o que sustenta a história acaba sendo apenas as cenas envolvendo o passado do artista, para conhecermos sua personalidade complicada.

Diferente de outros filmes que abordaram a vida do artista, Com Amor Vincent conseguiu trazer uma proposta incrível na direção de arte, tornando a identidade visual um diferencial extremo. O projeto teve como conceito, ser o primeiro longa totalmente pintado à mão, e exigiu o número de 125 animadores, que trabalharam em 65 mil molduras pintadas à óleo, recriando tanto as técnicas quanto os temas explorados por Van Gogh. Para os amantes das belas artes cada segundo no filme é uma experiência fascinante, já que, cada cenário ou personagem é uma das obras de Vincent ganhando vida. Essa proposta ambiciosa de animação gerou, de forma surreal, uma conexão íntima e profunda entre Vincent e suas obras, que pode ser sentida a todo momento por quem está assistindo.

Um aspecto também que merece ser mencionado, é o fato do elenco ser os próprios retratos/pinturas criados por Vincent ao longo de sua vida, um detalhe muito interessante que deve ser pontuado rapidamente.

Com Amor Vincent é um filme/animação que possui uma identidade visual fortíssima, encantando os olhos e culminando em uma experiência particular para pessoas amantes das artes que assistem o longa. Todo o conjunto tem uma mensagem linda para as pessoas que estão com dificuldade em prosperar em suas ambições, e a frase de introdução dessa resenha pode tocar alguns corações. Entretanto, a trama envolvendo o protagonista pode gerar certa antipatia, mesmo com características extremamente relevantes.