Opinião de quinta - Em ritmo de fuga "Baby Driver"



Baby driver – Em ritmo de fuga, é sem sombra de dúvidas um filme com estilo. E traz consigo uma criatividade que surpreende, figurando quase como um subgênero único; Como cita o diretor Edgar Wright – “ É um filme de carro guiado através da música”. Esse é o ponto mais forte do filme, a trilha. Junto com os efeitos sonoros do filme. Seja o som do carro, barulhos mundanos ou até mesmo uma cena inteira onde tudo que acontece é perfeitamente sincronizado com a movimentação e ação, ou seja, quando a música está tocando, praticamente tudo está em sincronia com a trilha, fazendo parte integral de altos e baixos da história. Momentos de apreensão e até puxando para uma veia cômica, tudo feito de forma bem planejada e brilhante. A fotografia trânsita bem com a história e a música, o diretor consegue fazer cenas criativas e bem expostas ao telespectador.

A música também faz parte da história do protagonista Baby, estrelado pelo jovem Ansel Elgort. O diretor tenta usar isso para um background da infância de Baby, construindo sua personalidade, que não convence tanto, isso acaba afetando o romance do protagonista, que se torna algo raso e não te faz torcer tanto pelo casal. Ansel faz um trabalho competente, mas não traz nada de muito criativo para o seu personagem. O roteiro também não o ajudou tanto. Talvez se não soubéssemos do passado dele, o personagem se tornaria mais misterioso, vide Ryan Gosling no filme “Driver”, que também é um cara calado. Entretanto, o autor consegue trazer um carisma grande e um mistério para seu personagem, ao contrário de Egort

Em um elenco cheio de atores renomados e carismáticos, como Jon hamm, John Bernthal, Jammie foxx e Kevin Spacey, todos foram competentes em seus papéis, porém não passam de meros assaltantes bidimensionais. Talvez tenha sido maior o tamanho de seus nomes no cartaz do que eles representam. Ninguém se destaca por atuações, inclusive Kevin Spacey, que vem a ser o mesmo cara de “Quebrando a banca” um cara que aparenta ser mais inteligente, o líder, mas novamente sem aquele algo a mais.

O filme começa muito bem, até o terceiro ato começar, e o diretor Edgar Wright achar que está na produção de “Scott Pilgrim 2”. O filme demonstra uma faceta até pirar de vez no final. Tudo parece tão criativo e original nos dois primeiros atos, e no final parece uma outra realidade, da qual não te faz sair tão pilhada da sala de cinema.

Se você curte trilhas e sempre presta atenção no som do filme, “Baby Driver” entrega algo novo, um entrosamento bem feito entre a história sendo contada e os sons. O filme é carente de um roteiro um pouco mais denso e extrapola nas cenas de ação. No final das contas, é um filme acima da média do gênero de filmes com carros e perseguições, e diverte, sem trazer valor para o telespectador.