Resenha | O Oceano no fim do caminho, por Neil Gaiman



A escrita de Neil é leve e interessante. Recomendo este livro a todos os que já não são mais crianças.

Arrisco dizer que Peter Pan não entenderia suas entrelinhas. Wendy até arrumaria um jeito de tentar explica, mas ele ainda assim não seria capaz de pensar na mensagem por trás da história.

O livro é feito para pessoas cujos sonhos já são de adultos.

Há quarenta anos, um menino de sete anos de idade conhecera sua – podemos dizer – primeira amiga, Lettie Hempstock. Um suicídio culminou no encontro dos dois. E assim a vida daquela criança virou de cabeça para baixo.

Um pequeno deslize, um breve soltar de mãos, deixou com que um monstro o usasse como passagem para este mundo.

Enfrentando o misticismo que invadiu sua cidade natal, ele passa por apuros aterrorizantes e vê sua coragem indo e voltando – voltando especialmente enquanto segura a mão de sua amiga.
O homem adulto que já fora aquele menino agora olha para o oceano – ou seria lago, lagoa? – enquanto suas lembranças voltam como um sonho perdido. Sonho este que, ao sumir, representa nossa criança interior fazendo o mesmo.

O personagem praticamente não tem nome – em todo o livro, citam uma única vez ‘George, o gracioso’ como um apelido dado a ele por seu pai. Talvez seja para que nos sintamos mais próximos  enquanto nos aventuramos entre as palavras, página após página.

Nossos sonhos de infância ainda vivem dentro de nós? Ou precisam de um estopim para voltarem de tempos em tempos? Afinal, até onde podemos saber que nos lembramos das coisas exatamente como aconteceram? Até onde elas são verdadeiras, até onde elas são reais?