Música | DO VINIL AO VINIL



Quem há algum tempo se desfez de seus velhos e tradicionais discos de vinil, os chamados LP’s ou Long Plays – não sabia a bobagem que estava fazendo. A chegada do CD – Compact Disc – no fim dos anos 80, firmando-se à vera no início da década seguinte, fez com que a produção dos vinis fosse extinta e a referida mídia substituída. No início, os discos a laser eram mais caros e até difíceis de serem encontrados no mercado. Era um produto exclusivamente elitista. O processo de transição aconteceu, aos poucos, mas o CD conquistou espaço na vida de toda sociedade, sendo logo banalizado com a pirataria.

Além dos vinis, havia a fita cassete, que disputava a atenção e o coração dos consumidores. Cada um possuía suas vantagens e desvantagens, servindo como parâmetro de escolha o simples perfil de identificação. Enquanto o LP apresentava maiores informações a respeito das músicas e artistas e era sujeito a possíveis arranhões, chiados, que afetavam a qualidade do som, as fitas k7, apesar de não correrem tais riscos, ocupavam menos espaço para acondicionamento e ainda podiam ser ouvidas em automóveis; porém, eram mais frágeis a ponto de arrebentarem durante sua execução.

Mesmo com a qualidade irretocável dos CD’s, os fabricantes desenvolveram novas formas de se ouvir música. A tecnologia prosseguiu o seu avanço e deu ao mundo o sistema de streaming, difundindo a era mp3. A partir daí, o público começa a deixar as mídias físicas de lado, optando por música de armazenamento. A essa altura, aparelhos como Walkman, Discman já haviam se tornado obsoletos.

Quando pensamos que já vimos de tudo, não é que o LP retorna à cena como artigo de luxo? Sim, aquele que, no passado, era senso comum e presença certa na maioria dos lares brasileiros, hoje, representa a minoria. Preço bem elevado, qualidade superior à do passado, acabamento personalizado. O público ainda é restrito, formado inicialmente pelos nostálgicos de plantão, mas vem ganhando adeptos das mais recentes gerações. O vinil traz de volta um comportamento cultural há tempos extinto. Pode ser um resgate do convívio social, como a velha reunião de amigos; da troca de experiências a respeito do assunto e, até mesmo, a descoberta de novos padrões de consumo. Um olhar ampliado sobre as mais diversas formas de se fazer a música presente na vida de cada um de nós.

Se esse retorno é apenas uma modinha, já está demorando demais. O que se vê é uma adaptação de costumes e uma realocação pautada não só mais em saudade e, sim, em estilos de vida. O disco de vinil voltou com força total e vem, peculiarmente, definindo seu espaço. Mesmo com uma produção reduzida, quase artesanal, a tendência é que outras empresas assumam tais riscos e passem também a produzi-lo, fomentando a concorrência e sua distribuição.

Hoje, o interesse pelo LP é uma realidade inevitável e a convergência com outros tipos de mídia é fator positivo e relevante. Assim, quem manteve suas antigas bolachas preservadas, consegue não só ouvi-las, como também, ganhar dinheiro com tais relíquias. Os sebos, lojas que detêm um acervo especial desses discos, verdadeiras raridades, passaram a ser frequentados por todo tipo de público, dos mais jovens à velha guarda.

 

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