Morando na Gringa | Rotary: Intercâmbio



Você conhece o Rotary? Bom, apenas para desencargo de consciência, aqui vai uma rápida explicação: Rotary é uma organização não-governamental, não-religiosa e sem fins lucrativos que visa o atendimento aos mais necessitados, com projetos humanitários, além do desenvolvimento de pessoas do bem e de líderes.

Rotary é para maiores de 30 anos, porém temos o Rotaract, clube parceiro do Rotary, para jovens de 18 à 30 anos, o Interact, clube patrocinado pelo Rotary, para jovens de 12 à 18 anos, e o Rotakids, também patrocinado, para crianças menores de 12 anos.

Aqui não abordarei os projetos humanitários, mas sim uma das oportunidades mais legais do Rotary: O intercâmbio.

Muitos têm o sonho de morar fora do país, por muito ou pouco tempo, e o Rotary te dá essa oportunidade! Claro, há uma prova a ser feita, regras a serem seguidas e taxas a serem pagas, mas tudo vale a pena.

Pessoalmente, sempre quis visitar a Irlanda, mas o Rotary não tem este país na lista de intercâmbio, portanto o fiz por uma agencia particular. Morei um mês na Irlanda e foi uma das melhores épocas da minha vida! Aprender uma cultura diferente, uma segunda língua, conhecer pessoas diferentes e locais curiosos não tem preço, é uma experiência incrível. Falarei mais sobre isso daqui a pouco.

Voltando para o Rotary, O contato mais forte que tive com o intercâmbio da organização foi o acolhimento de jovens estrangeiros. Há 9 anos estou envolvida nesse processo e com cada pessoa é uma coisa totalmente diferente. Já conheci: Mexicanos, africanos, estado-unidenses, turcos, tchecos, espanhóis, indianos, chineses…

Poder conhecer jovens tão diferentes, com costumes tão diferentes, é um aprendizado que faz diferença no nosso ganho de maturidade. Hoje em dia, com toda a falta de compreensão e respeito ao próximo que rola solta por ai, conhecer realidades diferentes da nossa é essencial. Sair da nossa zona de conforto é essencial – assim muitas crises de Peter Pan também podem ser evitadas.

Precisamos cada vez mais aumentar nosso contato com o mundo lá fora e abrir os olhos para as necessidades e direitos dos outros. Onde acaba o meu limite, começa o do próximo.

Ter paciência de ensinar o português é algo necessário, mas não tão necessário quanto estar aberto a aprender com o outro também. Não é porque uma pessoa está no nosso país que não devemos querer saber sobre a casa dela também.

Um dos costumes do intercâmbio do Rotary é a obrigatoriedade de duas apresentações: Uma sobre seu país natal quando você chega ao país de intercâmbio e uma segunda, logo antes de você ir embora, contando as experiências mais fortes do seu período morando ali. Assim todos ficam sabendo um pouco sobre a sua casa e muito sobre o quão importante aquele tempo morando fora foi.

Temos algumas regras: Nada de bebidas alcoólicas, drogas, sexo ou direção. Os intercâmbios podem ser de curta ou longa duração.

Para evitar o forte apego, os intercambistas de longo período geralmente mudam de casa três ou quatro vezes, mas é inevitável, a hora de dar tchau é dolorida, pois sabemos que a saudade vai chegar 5 minutos depois. Mas nada está acabado! Muitas são as visitas feitas para as casas de amigos no exterior.

Fazer intercambio é ter certeza de que você tem um lar do outro lado do mundo.

Hoje, posso dizer que a Irlanda é a minha segunda casa, e que tenho uma irmã de outra mãe na Turquia.
Como experiência pessoal, compartilharei aqui o ano que passei sendo melhor amiga de um grupo de intercambistas que vieram para a minha cidade: Uma turca, um tcheco, dois mexicanos e uma mexicana.

Não há nada mais engraçado do que correr por ai, brincando de pega-pega em uma fonte d’água com pessoas tão diferentes, e perceber que bem lá no fundo, vocês são iguais: Jovens procurando o tão sonhado futuro e, ao mesmo tempo, querendo ser feliz, aprendendo com os obstáculos.

As dificuldades existem. Eles passaram um ano aqui, longe da família, longe de casa. A saudade é muito grande. Portanto, eu e minha mãe abrimos as portas de casas para eles, mesmo sem eles morarem aqui, mas, pelo menos, sabiam que tinham um lugar para ficar quando precisassem sair da rotina para repor as energias e criar a coragem necessária para terminar o período de um ano em um país completamente diferente.

Uma cena que nunca vou esquecer é estar me arrumando para uma festa com as meninas e a turca entrar em chamada de vídeo com o melhor amigo dela, conversando em sua língua primária. Me senti mais perdida do que um cego um tiroteio.

E os sotaques? Você se apaixonada por cada um, às vezes até saí falando igual eles por causa da convivência.
Sobre o meu intercâmbio na Irlanda? Tenho apenas coisas positivas para falar. Meu grupo era simplesmente maravilhoso. Durante o mês que passei morando fora, não houve um momento triste sequer. Éramos realmente felizes, estávamos exaustos muitas vezes, por causa da rotina corrida, mas, ainda assim, arrumávamos um jeito de sair andando para encontrar comida – pois já estávamos cansados da batata frita do refeitório -, e nos divertir no caminho. E quer saber? Mesmo exaustos, os momentos eram maravilhosos. Até fizemos uma tentativa falha de pintar nossos cabelos de azul.

Acordávamos todos os dias pensando: “O que me espera de novo hoje?”. Visitamos castelos (um até é considerado assombrado, socorro), andamos de trem pelas cidades, mais perdidos do que não-sei-o-que (mas deu tudo certo), encontramos pessoas maravilhosas nas ruas comerciais de Dublim, fizemos amigos da Itália, Espanha, Rússia e México, visitamos lugares históricos e aprendemos sobre a maravilhosa cultura irlandesa.

A hora de dizer tchau quebrou nossos corações em mil pedacinhos. Passamos a noite em claro, jogamos futebol com os russos, trocamos chocolates e presentinhos (tenho até hoje o chaveiro de uma bonequinha russa que ganhei de um dos meninos – desculpe, nomes muito complicados para eu saber como os escrever -, por causa do meu aniversário).

Ah, o meu aniversário de 18 anos na Irlanda. Perdemos o Show do Ed Sheeran, que aconteceria no mesmo dia, então eles planejaram uma festa surpresa. Foi maravilhoso. Amo cada um daquele grupo com a parte mais especial do meu coração.

Claro, fomos lá para estudar, e a minha experiência na classe foi também maravilhosa. Fizemos de tudo um pouco. Éramos eu, outro brasileiro (do meu grupo), três russos e quase dez italianos. Rolou até brincadeira de investigação policial. Ganhei um certificado de fluência em inglês, pois fui qualificada para o nível mais alto que eles ofereciam e concluí o curso com sucesso. No dia do meu aniversário, uma das professoras também fez uma surpresa. Levou doces, refrigerante e um cartão que todos assinaram. Ganhei abraços calorosos dos quais nunca me esquecerei. Nunca esquecei, também, daquelas duas mulheres incríveis que deram aulas para pessoas tão diferentes entre si e conseguiram fazer tudo com muito sucesso.

Resumindo: Se você tiver a oportunidade, faça um intercâmbio. Isso mudará a sua vida.