Inception | A psicologia através do livro e filme



Reinações de Nina no Mundo da Imaginação, é um livro sobre personagens que se conversam no mundo da Imaginação. Nina a protagonista do livro da professora de psicologia Carol, que escreve sobre seu método de trabalho terapêutico.  Nele Nina, conversa com seus parceiros de aventura no mundo da imaginação, fazendo com que eles se tornem seus amigos e fiéis aliados para as batalhas da vida onde fazem uma roda de heróis invencíveis.

“A Origem” é um filme de ficção científica. Conta a história de como um grupo de ladrões da mente que se utilizam de uma “máquina de invadir sonhos” para poder conquistar objetivos ambiciosos. O filme Inception, foi dirigido por Christopher Nolan, lançado em 2010, com atuações de Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, nos EUA.  Com a ajuda de uma máquina, os membros de um grupo conseguem invadir o sonho de determinada pessoa e construir uma vivência onde podem influenciar inconscientemente as decisões do indivíduo na vida real. 

Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), é um ladrão, especializado em extrair informações das pessoas através dos sonhos. Cobb está aposentado, mas, se vê obrigado a participar de uma última missão para ter direito de ver o seu filho. A missão final é chamada de “inserção”. Ela irá implantar a origem de uma ideia ou conceito na mente do rival de seu cliente.Dom Cobb reúne um grupo de especialistas, para poder concretizar a missão. Ariadne (Ellen Page) é a “arquiteta”, responsável em criar o cenário do sonho manipulado, usando muita criatividade e engenhosidade para isso. Arthur (Joseph Gordon-Levitt) é especialista em saber tudo sobre a vida do alvo; Yusef (Dileep Rao) é o químico criador dos sedativos para induzir o alvo ao sono; Eames (Tom Hardy) é o responsável por pesquisar e personificar o alvo, como o modo de falar, “tiques”e etc. Seu cliente de Dom é Saito (Ken Watanabe), dono da segunda maior companhia de energia do mundo. Seu maior desejo é ultrapassar os líderes deste segmento. E para isso chantageia Dom Cobb.

É muito engraçado que para desmontar o pensamento criado é preciso construir outros universos ou passagens inconscientes. E, mesmo acessando sentimentos mais profundos, ainda assim, haverá muitos caminhos a se escolher. O filme trata desse caminho, como uma poderosa ideia. Ele é brilhante nessas imagens. São conexões emocionais que se aprende a deixar. E, até destruir, na mente, para seguir em frente. Isso pode mudar o curso da história, que está sendo rabiscada no livro da própria existência.

No final, “A Origem” desperta a curiosidade de quem gosta de participar das discussões sobre o que o filme trata. Estaria Dom Cobb no mundo dos sonhos ou no mundo real? É um enredo complexo e muito bem desenvolvido, quando revela aos espectadores pequenas dicas, que ensinam as pessoas a atravessarem seu mundo interno.  A dúvida principal é se Cobb estaria sonhando ou não. Para saber, ele roda o seu “totem” (um peão) que, de acordo com as regras, nunca pararia de girar caso o seu dono estivesse no mundo dos sonhos. 

Reinações de Nina no mundo da imaginação, faz um caminho um pouco diferente do que o proposto pelo filme. Todas as defesas do corpo são forças poderosas, que podem se tornar aliadas dos objetivos internos.  No filme, ao encontrar obstáculos dentro da mente, de quem eles estão querendo inserir uma ideia, os personagens descem a planos inferiores. Mas, é possível também, subir a planos superiores. É uma questão de escolha, para se estar conectado a uma pessoa.  É uma fantasia e precisa de ação.

Dentro da mente, pode-se subir ou descer. O autor do filme preferiu descer aos patamares mais profundos. Mas, eles não precisam ser necessariamente uma declinação, e sim, uma mudança para planos mais elevados de compreensão do mundo interno. Em Nina, o caminho escolhido é diferente deste. Ela entrevista estes personagens, para conhecê-los e torná-los aliado. O que ele faz no filme com o tio ao final. E eles se tornam poderosas forças de construção do mundo interno, na vida, para movimentá-la no caminho escolhido.

Mas, os planos submersos fazem suas atrapalhadas sempre. Criam falsas ilusões, guerras e sensações de que o mundo interior está ruindo. Isso é o mais louco de tudo! Na verdade, é uma construção, contudo, a sensação é de paralisia. Como se fossem estátuas. E quando chega uma luz criativa, faz tudo se movimentar, nem sempre na direção que foi desenhada. Por isso, mesmo a ilusão sendo de desmoronamento, é uma imaginação vivificante, que liberta de uma contenção, dando forças para construção de uma nova estrutura.

Assim, a sensação é de tudo estar ruindo, como pessoas petrificadas sendo desmontadas e virando pó, ou prédios e construções caindo, ou ainda um grande maremoto. Os sonhos estão recheados dessas imagens. O filme entende o caminho desta capacidade que está dentro do psiquismo, mas, é deixada de lado, porque é um mundo totalmente intuitivo.  Algumas pessoas tem a capacidade de gerenciar essas informações. E, eles se tornam mais intuitivos, mais capacitados para construir a realidade.

No livro, Nina é um personagem que compreende essas modificações. Nina se torna uma pessoa que vai modificando sua vida, a partir da conversa com eles. O filme também usa desse recurso, quando coloca o tio falando com o sobrinho, aproveitando um personagem sugerido pelo homem onde vai ser implantada a ideia. Uma dica, um olhar sobre um objeto, um trejeito, uma palavra sempre pode ser uma aliança para o mundo psíquico. Na brecha da fantasia com a realidade, existe uma força poderosa, aliada a realidade suplementar (toda vida que se cria a partir de sonhos), que faz da vida real uma construção de sonhos.

Um engenheiro que vai construir uma ponte, tem que sonhar com ela acordado, para projetar ferramentas que a tornem realidade. E, dentro do sonho há uma proteção de qualquer perigo, mesmo com sensações que levem a se sentir machucado, morrendo ou mesmo sendo despedaçado.  Esses sonhos destrutivos são comuns em pessoas depressivas, onde elas se assustam com as imagens terríveis que a mente produz. É nesse momento que se percebe algumas artimanhas do psiquismo. O sonho nos alerta, que o mundo interno está muito feio, muito desarrumado, muito despedaçado. Isso faz parte de sentimentos e sensações vividas em dado momento. Ou lembranças impregnadas na mente, pelas emoções que não são possíveis de lidar em dado momento.

O psiquismo tem uma arma poderosa de reconstrução. Ele repete tudo o que precisa, para resolver os dilemas e contradições que criou. A vida nos coloca diante dessas repetições. E ainda assim, poucos são os que reconhecem o efeito da própria mente, refazendo um caminho que ficou tortuoso, desarrumado, despedaçado.

É o maior legado que temos de forças ancestrais. Elas deixaram marcas em sonhos, repetindo situações para criar um novo jeito de funcionar. Reproduzindo, há uma chance de reviver os próprios dramas e achar novas soluções. O cérebro é o órgão mais plástico que o ser humano tem e se renova em suas funções para criar novas sensações. Dormir e sonhar é preciso, para que haja uma atualização constante. 

Todas as pessoas, que de alguma forma sentem os sofrimentos emocionais, podem ver esse filme e contar com esse aprendizado. Através de livros, como o Reinações de Nina no mundo da Imaginação, que está no prelo. É com esse tipo de aprendizagem que mudamos a mente. E se pode a construir uma realidade que se projeta para si mesmos, de um modo inconsciente.

 

 

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