Review: Horizon Zero Dawn



Novo exclusivo de aventura da Sony, Horizon Zero Dawn é uma verdadeira obra prima da atualidade e que faz jus a todo o hype instaurado com o seu anúncio e divulgação. Dispondo de um belíssimo e massivo mundo aberto, história e gráficos de tirar o fôlego, e uma protagonista cativante e de forte personalidade, Horizon Zero Dawn consegue tornar a jornada do herói, tão utilizada na cultura cinematográfica e de games, em algo completamente inédito e original

Com enredo focado em um universo onde a raça humana chegou quase à extinção, e máquinas massivas tomam conta do novo mundo pós apocalíptico, os herdeiros da destruição da nossa própria civilização, vivem em comunidades tribais e aborígenes, com conhecimento quase que nulo de tecnologia, medicina ou qualquer outra descoberta feita pelos seus antepassados. Robôs que se multiplicam e se comportam como animais dominam o planeta terra, e o homem que não é mais a raça dominante, luta para sobreviver às intempéries da nova era do gelo que domina a geologia do planeta. É neste cenário que nasce Aloy, uma garota corajosa e destemida que, exilada assim como o homem que a cria e protege, em uma de suas investigações acaba descobrindo resquícios sobre seus antepassados. Quem ela é, porque é uma exilada, e qual a relação que ela possui com os povos que um dia dominaram a terra e a grande mãe de todas as criaturas, uma ruína gigantesca que o seu povo tem como Deusa, são questões que perpetuam constantemente em sua cabeça e que vão orientar a sua jornada em busca de respostas e de ajuda para o seu povo que luta para sobreviver das tribos inimigas e das grandes máquinas predadoras.

Num mundo em que religião e tecnologia se tornam um só, novas mitologias são criadas e apresentadas e uma trama de arrepiar os cabelos é cravada frente aos nossos olhos. Cada objetivo, tarefa ou side mission possui uma importância ao enredo e é executada de forma única, e cada revelação que é apresentada, acaba por criar um novo gancho que prende a atenção do jogador e faz com que ele resista a extensiva jornada de gameplay à la The Witcher, pois sempre e a todo momento, estamos em um clima de tensão e suspense constante e queremos saber o que vai acontecer na história. E como a grande maioria dos games atuais, existem uma série de referências nítidas a outras produções que retratam o pós apocalipse, como em Mad Max, mas há uma originalidade grandiosa principalmente no referente a mitologia do jogo, que é amplamente aproveitada ao longo da história, outro ponto forte, digno de roteiro de filme.

O mapa que é aberto e é imenso está cheio de tesouros, colecionáveis e coisas para se fazer e passar o tempo. Avançar pelas intempéries é algo difícil e o tempo todo temos de encher nossas bolsas de ervas curativas ou coletar outros recursos a fim de produzir munição e melhorias para as nossas vestes e armaduras. Cada tarefa que encontramos disponível difere muito uma da outra e nem todas são tão focadas em suspense ou na história principal em si. Horizon Zero Dawn é um jogo sério e dramático mas em muitos momentos nos presenteia com bom humor e cutscenes descontraídas – seja nos foras que Aloy dá nos diversos pretendentes que encontra no caminho, ou quando tem que ajudar uma velha senhora fissurada por religião e que nunca conversa a não ser através de orações, cada momento gasto neste jogo é uma verdadeira surpresa.

Além de tudo, um recurso muito recorrente no jogo é a interação de Aloy com as máquinas. Conforme aprimoramos nossas habilidades e ganhamos perks, vamos nos tornando capazes de desarmar, controlar e até reprogramar essas máquinas para que se tornem em montarias que são extremamente úteis para o avanço do jogo, já que diferente dos Rpgs da Bethesda ou CD Project Red em que podemos utilizar atalhos no jogo ou até mesmo o mapa para executar viagens rápidas, viajar de forma rápida em Horizon Zero Dawn requer recursos, muitas vezes raros e úteis para outras finalidades, o que acaba nos obrigando a explorar o mapa e a cavalgar por minutos para chegar em locais de missão ou tarefas – um ponto muito positivo para os amantes de exploração, mas um tanto quanto negativo para os que preferem uma diversão mais casual.

Os gráficos do jogo são Lindos em proporções inimagináveis e surpreendentes. Horizon Zero Dawn é perfeito em quase todos os aspectos e nos proporciona uma experiência incrivelmente bela de gráficos e som. Com uma trilha sonora composta de uma série de faixas que tocam em todos os momentos certos, centenas e dezenas de frases e arquivos de som gravados. Aloy está sempre a reagir ao clima ou aos obstáculos que encontra no caminho e quase nunca repete uma frase já dita anteriormente.

Com relação a sombreamento, texturas, suavização de bordas, o jogo consegue ser 1000/10 e nos entrega um trabalho muito bem feito, o que é de se admirar visto que o estúdio é indie e não contava com o orçamento astronômico de jogos como o desastroso Mass Effect Andromeda, muito mais caro que Horizon Zero Dawn e horrendo quando comparado; As animações faciais são perfeitas e cada personagem foi minuciosamente construído. Assim como em The Witcher, nenhum NPC tem um rosto igual ou parecido com o de outro e todos são muito belos e bem desenhados. Além disso, taxas de frame são constantes e a otimização do game para o Playstation Pro foi uma das melhores de todos os lançamentos habilitados para o console. Os detalhes a longa distância são muitos a perder de vista e a taxa de frames é fluida e extremamente agradável ao jogador.

 

Por fim, e um ponto extremamente importante de se levar em consideração: Horizon Zero Dawn entrega uma coisa que é quase que inédita nos jogos hoje em dia, já que a diversidade racial e de gêneros em papéis importantes é gigante e muito bem executada. Apesar de se passar em uma região que provavelmente se equivale ao extremo norte do continente americano, encontramos ao longo do jogo personagens de todas as etnias possíveis e inimagináveis, de uma forma que não é nem um pouco clichê e que se encaixa perfeitamente ao contexto do jogo. Além disso, em tempos em que representatividade e feminismo estão tão em alta, você ficará feliz de saber que elementos de feminismo e aceitação do próximo estão presentes em praticamente todo o jogo. De mulheres empoderadas a personagens negras e asiáticas em altos cargos, Horizon Zero Dawn é um jogo que é 0% objetificação ou preconceito e 1000% representatividade e diversidade. Não há um personagem ao longo da trama com o qual você não consiga se identificar e nem momentos de constrangimento ou objetificação, principalmente de mulheres.

 

O VEREDICTO:

 

Um jogo extremamente bem produzido e bem executado, com gráficos de tirar o fôlego e uma narrativa que não possui furos e consegue ser surpreendente desde o prólogo até a revelação final. Numa época em que RPGs e jogos de mundo aberto estão cada vez mais saturados e nos oferecendo mais do mesmo, Horizon Zero Dawn nos presenteia com um universo único e incrível, com muito para fazer e ser explorado.

 

Nota: 5 Estrelas