Games | O que God of War 4 nos trás do novo Kratos?



GOD OF WAR 4

Começa com um garoto, brincando do lado de fora de sua casa com alguns bonecos rústicos. De dentro da casa vem o chamado, seco, objetivo, rude:

Garoto!”

O menino então caminha e tem um breve diálogo com o misterioso personagem que o chamou e que agora está nas sombras.

Esse, de modo bem simples, é o inicio do trailer do novo God Of War, exibido pela SONY na E3 de 2016. O que viria a seguir deixou todos os gamers fãs de enredos intensos aliados a um gameplay eletrizante, criando úlceras até o lançamento, praticamente dois anos depois, em 20 de abril de 2018.

Kratos saindo das sombras, com seu novo visual, envelhecido, rugas perto dos olhos, barba, e os dez minutos seguintes de gameplay, impactaram de tal forma que era praticamente certeza que teríamos algo extremo no novo capítulo da saga do espartano.

E essa suspeita acabou sendo superada. A experiência de jogar o novo God of War não pode ser passada num trailer. É impossível.

E não digo isso devido aos aspectos técnicos! Não. Não são os gráficos maravilhosos que enchem os olhos e te fazem parar o gameplay apenas para admirar os cenários. Nem a nova Jogabilidade, competentemente inspirada em Resident Evil 4 e The Last of Us, que se ajustou tão bem ao jogo que te faz esquecer o antigo Hack ´n´Slash. Não, também não foi a impressionante ausência de loadings durante toda a jogatina, onde você migra do gameplay direto para as cutscenes e vice-versa de maneira fluida e natural, o que torna a imersão no jogo absurda!

Não.

O que mais impressiona é o cuidado com o enredo e com os personagens. Tudo faz sentido, tudo é bem amarrado, e o “novo” Kratos é muito melhor que o anterior. O Fantasma de Esparta agora deixou de ser um personagem bidimensional. Uma fera assassina, impossível de ser parada, que simplesmente não pensava nas consequências de suas ações (pensem no que a morte de Poseidon acarretou em God of War 3, por exemplo).

O novo Kratos conversa com seu filho Atreus, enxerga as consequência de seus atos, e como todo bom pai não quer que o filho cometa os mesmos erros que ele cometeu.

Mas não se enganem! Quando desafiado o espartano mostra porque é o deus da guerra. E meus queridos (as), como mostra! As batalhas são intensas, dramáticas, difíceis. Não são simples batalhas de chefes. São acontecimentos que claramente impactam gravemente o universo do jogo, e isso fica claro quando você derrota cada um dos chefes e percebe aquele sorriso bobo em seu rosto logo depois de, finalmente, voltar a respirar.

O jogo também é cheio de ótimos personagens que eu não ousaria chamar de secundários. São tão bem criados, seus diálogos tão bem escritos, a interpretação tão perfeita que são personagens tão importantes e cativantes quanto o próprio Kratos. Os anões Sindri e Brok, responsáveis por upar armas e equipamentos são hilários. Mimir, o ser mais inteligente do mundo, é outra figura marcante, com tiradas geniais. Aliás, o componente de humor, praticamente inexistente nos jogos anteriores, é muito bem usado, e muito bem vindo, no novo jogo. E existem tantos outros personagens, dramáticos, ameaçadores, assustadores, bondosos, odiosos, que não vou citar para não estragar o prazer de vocês.

Voltando ao espartano, a personalidade de Kratos, o modo como ele nos é apresentado no novo jogo é bem mais profunda do que em todos os jogos da antiga série. Kratos está mais humano, mais racional. Instrui seu filho (que é extremamente útil nas batalhas). Protege-o de todos os perigos. E pasmem, mostra um sentimento verdadeiro de amor por sua falecida esposa, Faye. Calma, não é um spoiler. Você já fica sabendo disso com cinco minutos de gameplay. O novo Deus da Guerra consegue balancear a ferocidade e a brutalidade do personagem dos jogos antigos a uma nova proposta mais próxima de algo real e humano. Resumindo, o novo Kratos é muito melhor, em termos de desenvolvimento de personagem, do que o antigo, e isso faz muita diferença no gameplay, já que a empatia do jogador com o personagem cresce estupidamente!

Outra qualidade do jogo é sua durabilidade. Além da história propriamente dita, existem muitas side quests que aumentam muito as horas de gameplay. E não estou falando de coisas bobas com encontrar a panela perdida de alguma velha maluca – olá The Witcher 3! ; ) – e sim histórias onde aprendemos mais sobre a mitologia nórdica e até mesmo sobre o desenvolvimento da história principal!

Você percebe que está frente a um jogo diferenciado quando o prazer de joga-lo se iguala ao prazer de “apenas” assistir outra pessoa jogando. Essa rara qualidade existe aqui. God of War é um jogo impar. Uma grande obra cheia de reviravoltas, onde você vai se pegar torcendo pelos personagens de modo quase insano, xingando o inimigo que naquele momento você está espancando de modo brutal, prendendo a respiração enquanto assiste as façanhas de Kratos!

Ah, e já ia esquecendo, um final que com certeza vai te deixar de queixo caído!

O Deus da guerra voltou. Trema Asgard!