Dragão Indica | Quadrinhos: X-MEN Grand Design



Um dos grandes clichês que se escuta quando se discute sobre quadrinhos é o quanto a cronologia dos X-Men é confusa. Pessoalmente, acho essa afirmação bem relativa. Se eu resolver acompanhar a última semana da novela das 9, com certeza ficarei perdido em relação aos personagens, suas motivações, por qual razão estão fazendo isso ou aquilo, e provavelmente estranharei o final. Se isso ocorre com uma novela, que tem no máximo 180 capítulos, imagine com uma série contínua sendo publicada há 55 anos?

Porém, entendo que nem todo mundo tem tempo e paciência para sair procurando edições mais antigas do que si mesmo, e um resumão rápido acaba sendo muito bem-vindo.  Melhor ainda quando esse resumão tem características tão próprias que acaba se tornando interessante até para quem conhece a história de cabo a rabo. É o caso de X-MEN: GRAND DESIGN.

A série composta de dois volumes (reunidas num único encadernado) aborda até agora a primeira década de histórias dos mutantes, com total respeito ao material original (e algumas “liberdades” principalmente em relação a Fênix). Um texto ágil e agradável, acompanhada pela arte pouco familiar ao leitor acostumado apenas a quadrinhos de super-heróis.

Explico melhor. X-Men: Grand Design é obra do quadrinista Ed Piskor. Piskor, já conhecido do público brasileiro por Os Beats: Uma Graphic History (Saraiva, 2010) e pelo premiado Hip Hop Genealogia (Veneta, 2016)  é representante legítimo do quadrinho alternativo, inspirado pelo trabalho de caras como Gilbert Shelton e Robert Crumb, e tem muito pouco a ver com a arte explosiva de heróis musculosos e heroínas curvilíneas que são marcas registradas do quadrinho americano “tradicional”, digamos assim, dos quais X-Men é um dos marcos principais. E isso, vejam bem, não é sinal de demérito! Como disse parágrafos acima, essa abordagem pouco usual é justamente um dos atrativos para o material. As características do quadrinho alternativo, aliados ao conhecimento enciclopédico do autor sobre as histórias e os personagens, torna o antigo e clássico com sabor de novidade e ineditismo.

Fica a torcida para que as sequências, abordando as fases em que o título se tornou um fenômeno de vendas e popularidade, não demorem a chegar. Se a qualidade deste primeiro volume for mantida durante todo o trabalho, ficará comprovado que não são necessários reboots ou relançamentos para tornar frescos velhos conceitos, apenas mãos (e lápis) criativos e competentes.

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