Dragão Indica | Quadrinhos - Deadpool: Antologia



Você, meu amigo, minha amiga, que irá ao cinema por esses dias, provavelmente deve estar ansioso pelo lançamento de Deadpool 2, sequência do improvável sucesso do primeiro filme lançado em 2016 e que surpreendeu muita gente que achava que nenhum outro estúdio – fora o próprio Marvel Studios – poderia fazer adaptações bacanas de quadrinhos para as telonas.

Análises e prognósticos sobre o filme você vai encontrar aos quilos pela internet. A pauta hoje (aliás quase sempre nessa coluna), é o material original, papel rabiscado e coberto de tinta nanquim e colorida, complementada por cada vez mais escassos balões de textos: GIBIS! E como Wade Wilson, o DEADPOOL, apareceu neles.

Deadpool surgiu no comecinho dos anos 90, na edição #98 de New Mutants (uma espécie de X-Men Junior), criado pelo roteirista argentino Fabian Nicieza e pelo “polêmico” artista Rob Liefeld (polêmico nada, ruim mesmo). A princípio, o “Merc with a Mouth” – “Mercenário Falastrão”, na adaptação nacional – era para ser apenas um mercenário espertalhão que ia se pegar com os pequenos mutantinhos. Surpreendentemente, o carisma do personagem, combinado com seu humor negro recheado de referências pop, elevaram o safado a protagonista, primeiro de duas minisséries (em 93 e 94), depois de uma revista mensal (de janeiro de 97 até 2002). O jeito divertido e politicamente incorreto do personagem angariou fãs e segurou a difícil tarefa de manter uma série nas bancas todo mês por um bom tempo, mas logo cansou. Problemas editoriais (como o pagamento de direitos ao criador) e o próprio desgaste natural da fórmula mandaram o rapaz para o limbo. Não demorou muito para voltar, mas teve que dividir espaço com um contemporâneo noventista, o mutante Cable (é complicado explicar esse sujeito, um dia eu tento, prometo!) em 50 edições entre 2004 e 2008.

Foi o suficiente para animar o pessoal da Marvel, que aproveitou seu evento anual Invasão Secreta (de 2008) para relançar a mensal do quase-herói. Aos pouquinhos, a popularidade do maluco foi alcançando níveis jamais imaginados: uma participação “polêmica” em X-Men Origens: Wolverine, action figures, games, mais séries regulares (a exemplo do Homem-Aranha e Wolverine nas décadas anteriores), versões feminina, infantil, canina e até zumbi, membro financiador dos Vingadores. Não imaginava? Os milhões não apareceram só nas histórias, aqui no mundo real a empreitada bancada por Ryan Reynolds faturou tanto quanto, foi sucesso de público e crítica, consolidando um novo ícone da cultura pop, e que alguns leitores mais velhacos ainda torcem o nariz, mas certamente não deixarão de pagar ingresso e, por acaso, talvez até deixem uns tostões a mais para garantir aquele balde especial de pipoca do Cinemark.

O QUE LER? A Panini lança todos os meses a revista DEADPOOL. Trimestralmente você ainda encontra DEADPOOL EXTRA e DEADPOOL CLASSICO, essa republicando as séries dos anos 90.  Em fevereiro deste ano, foi lançado o encadernado de luxo DEADPOOL ANTOLOGIA, compilando histórias de diversas fases do personagem.