Dragão Indica | HQ - Thanos: Desafio Infinito



Não se iluda, o filme que você está esperando há 10 anos (exagero vai, há 6, desde que Thanos apareceu na cena pós-créditos de Os Vingadores) não tem nada de novo. Serão pouco mais de duas horas com explosões, lutas bacanas, algumas piadinhas, uma surpresa aqui e ali, e que irão render milhões (talvez bilhões) aos realizadores, mas te deixarão com aquela sensação de melhores momentos do jogo da rodada. A ponta do iceberg. A experiência completa, irrestrita, sem limitações de tempo, orçamento, personagens de outros estúdios e daquele ator que você não suporta mas precisa aturar, só se encontra na matriz, em papel, tinta e – atualmente-  capa dura. Muito sabiamente (e já não era sem tempo), a Panini trouxe este mês Desafio Infinito (Infinity Gauntlet, no original).

Depois de ter sido derrotado diversas vezes – e até morrido – Thanos tem um novo plano: recolher as seis Jóias do Infinito em uma luva (a gauntlet do título, que significa manopla) para ter acesso ao poder absoluto e agradar sua grande paixão, a Morte. Como a velha (esqueça a versão cocota do Neil Gaiman) não deve curtir muito chocolates, o presente que Thanos oferece é eliminar 50% da população do universo. Claro que nesse mundaréu de gente estão incluídos alguns de nossos heróis favoritos, e caberá aos que sobraram salvar o dia.

Quando lançada originalmente entre julho e dezembro de 1991 (no Brasil entre março e maio de 1995 – sim, tínhamos 5 anos de delay e ninguém ameaçava matar os editores por isso), Desafio Infinito chamou a atenção por alguns fatores. O primeiro era a volta dos grandes eventos da editora, envolvendo todos os seus principais personagens. Desde o final de Guerras Secretas 2 (em 1985 lá, 1990 aqui) eventos como A Guerra do Alto Evolucionário, Ataques Atlantes e Fator Terminus ocupavam apenas as edições anuais de cada título, e raramente mostrava alguma interação entre estes. Desafio tirou todo mundo de sua zona de conforto, e fez o pessoal comprar uma edição a mais no mês para poder acompanhar o que estava acontecendo.

Outro fator era a presença de George Perez nos desenhos das 3 primeiras edições. Afastado da editora desde o início dos anos 80, o trabalho do artista trazia grandiosidade e aquela sensação “agora a coisa ficou séria de verdade” tão conhecida de um outro evento ai que você já deve ter ouvido falar, chamado Crise nas Infinitas Terras. A outra metade da série ficou sob o lápis de Ron Lim, que já vinha desenhando a revista do Surfista Prateado e a série Thanos: Em Busca de Poder (essa está incluída no encadernado da Panini), e que são prelúdios de Desafio, mostrando como Thanos ressuscitou e conseguiu as Jóias. Ou seja, a série era o clímax de mais de um ano de histórias, no mínimo.

Por fim, Desafio Infinito é escrito por Jim Starlin, o próprio criador do Thanos e de boa parte do elenco “cósmico” da Marvel. Se alguém sabia o que estava fazendo, era ele. Não há frases gratuitas, não há inconsistências com canon estabelecido, nem descaracterizações oportunistas, coisa cada vez mais rara de acontecer. Um grande clássico da Marvel (podem chorar), com cenas marcantes (algumas aparentemente estarão no filme, devidamente adaptadas) e uma conclusão bastante satisfatória, embora deixe a porta aberta para sequências dos anos seguintes. Mas falaremos delas em outro momento.

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