Dragão Indica | Camelot 3000



A ousadia de dar continuidade a histórias clássicas da literatura pode parecer algo trivial nos dias de hoje, depois de Alan Moore ter reunido ícones como Mister Hyde, Mina Harker e o Capitão Nemo em sua Liga Extraordinária, de forma genial e com enorme sucesso, mas há 36 anos a ideia parecia tão incomum quanto improvável. Mike W. Barr e Brian Bolland (e a DC Comics) foram pioneiros ao lançar Camelot 3000, em dezembro de 1982. E em mais sentidos do que se pode imaginar.

Foi a primeira maxi série dos quadrinhos americanos. Em tempos em que o mercado se dividia entre as limited series ou as regular series, Camelot 3000 saiu em 12 edições entre Dezembro/82 e Abril/85. Foi ainda o primeiro quadrinho da DC impresso em papel de melhor qualidade e distribuído exclusivamente em comic shops.

Camelot 3000 chegou ao Brasil em agosto de 1984, nas páginas de Batman #2 da Editora Abril, continuando nas edições #3, 4, 7, 8 e 10, passando então para o mix da recém-criada Superamigos nas edições #1, 3, 4 a 6, finalizando em outubro de 1985, apenas 6 meses depois da publicação nos EUA.  Uma minissérie em 4 edições foi lançada em 1988 (também em formatinho) republicando a saga. A temática mais adulta – praticamente uma precursora da linha Vertigo (que só seria criada em 1993) – não impediu que a história fosse disponibilizada ao público infanto-juvenil, embora determinadas passagens envolvendo nudez e relacionamentos homossexuais tenham sido editadas ou suprimidas.

Informações e curiosidades editoriais a parte, voltemos ao primeiro parágrafo. Como mencionei, a história nada mais é que uma continuação de Rei Artur e Os Cavaleiros da Távola Redonda (1485), de Sir Thomas Malory. Embora em entrevistas Mike W. Barr tenha afirmado que seu conhecimento das lendas arturianas devia-se exclusivamente a aulas que teve na faculdade, a obra de Malory aparece inclusive como easter egg nas páginas da história, e o nome do protagonista – Tom – não parece ter sido escolhido aleatoriamente. No distante ano 3000, a população da Terra se vê em meio a uma invasão alienígena em grande escala quando, acidentalmente, uma figura em trajes medievais é despertada de seu sono milenar para combater o inimigo e renovar a esperança da humanidade. O que houve com ele, com alguns de seus cavaleiros, e como tudo está relacionado ao momento crucial do planeta são os pontos centrais da história. Por último e não menos importante, trata-se de uma das raras oportunidades de ver o genial Brian Bolland como desenhista regular de uma série.

Pessoalmente, trata-se de uma das minhas histórias preferidas. Acompanhei no momento da primeira publicação aqui no Brasil e afirmo, sem medo de errar, que a série “roubava” para si o gibi do Batman e a Superamigos. A arte fora do padrão da época, a qualidade do texto, o futuro distante mas ainda familiar, alguns temas jamais abordados antes num quadrinho mainstream, a imprevisibilidade ao final de cada capítulo, tudo contribuiu para Camelot 3000 se tornar um clássico e campeão dos pedidos de relançamento.

Já é a segunda vez que a Panini republica o encadernado completo, não ouse perder dessa vez!

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