Dragão Indica | Quadrinhos - O Soldador Subaquático



Jeff Lemire se tornou conhecido dos leitores brasileiros em 2012, quando a Panini decidiu lançar a primeira (de um total de seis) edição de Sweet Tooth, uma simpática e emocionante fábula pós-apocalíptica. Pouco tempo depois, a sua versão de Homem-Animal para os Novos 52 da DC o colocou como um dos novos nomes obrigatórios das HQs modernas.

Vindo do cenário alternativo, Lemire escreve e desenha e, ao mesmo tempo em que dava seu cartão de visitas sob a proteção da DC/Vertigo, produziu O Soldador Subaquático (The Underwater Welter no original), lançado no Brasil pela Mino, em 2016. A história gira em torno de Jack Joseph, o soldador do título, morador de uma pequena cidade no litoral, na iminência de ser pai, as voltas com um passado sempre presente.

Na contracapa do livro, Damon Lindelof (de Lost, Prometheus e a nova série Star Trek) comparar a história a um episódio de Além da Imaginação. Com todo o respeito do mundo, e quem sou eu para tal, me permito discordar do Sr. Lindelof ligeiramente no que tange ao mote da história. Muito mais do que uma história de suspense (e ele existe até o final), trata-se de uma lição de vida.

Não é raro nos sentirmos de alguma forma presos ao nosso passado. Um relacionamento mal resolvido, uma briga em família, a frustração de não ter seguido a carreira que sonhava, o arrependimento de uma (ou várias) decisões tomadas. Na persona insegura e obcecada do protagonista, mostra o quanto nossa bagagem emocional influencia o presente e pode negligenciar nossas aspirações futuras. Escrevendo assim parece bastante óbvio, a questão fica para como fazer o relógio voltar a funcionar (e você que me lê só vai entender a referência quando ler o material).

Uma vez vi ninguém menos que Frank Miller falar que histórias em quadrinhos tem um problema de auto-estima.  Não é todo mundo que está disposto a enxergar além dos evidentes clichês de gênero, ou talvez até enxergue, mas não está disposto a se ver retratado em meio a balõezinhos de texto. A verdade é que a arte (e HQs são uma forma de arte) fala com nossos sentimentos, seja o simples escapismo ou a reflexão pessoal, coisa que Jeff Lemire e seu soldador conseguem com muita felicidade.

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