Dragão Colunista | Motivos para ler Tolkein: O senhor dos Anéis



Como imaginar que durante o horror da Primeira Guerra Mundial, um jovem soldado chamado John Ronald Reuel Tolkien estaria desenvolvendo um dos uni-versos imaginários mais cativantes da Alta Fantasia? Tal seria a complexidade e riqueza desse universo, que a primeira obra a falar sobre ele, O Hobbit, só seria publicada em setembro de 1937. Mas foi em julho de 1954 que os leitores puderam aproveitar a primeira obra da trilogia que seria o ápice desse universo — O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel.

Uma das coisas que se observa ao ler o primeiro livro da trilogia de O Senhor dos Anéis é que a adaptação de Peter Jackson foi realmente muito bem feita. E não, ver o filme antes de ler o livro não atrapalha necessariamente sua imaginação (apesar de Tom Bombadil ser um personagem bem legal, dá para entender por que ele ficou de fora dos filmes).

É fato que J.R.R. Tolkien é o pai da fantasia moderna, mas seu estilo de narrativa ainda não é tão dinâmico quanto os leitores estão acostumados nos dias de hoje. Pode-se observar que ele “perde” bastante tempo com descrições bastante detalhadas do cenário, minúcias de cada trecho de viagem da Sociedade, o que faz o ritmo dele se assemelhar ao ritmo de algumas obras do fim do século XIX, como Frankestein, Drácula, O Retrato de Dorian Gray, que possuem um ritmo mais “arrastado” e um pouco mais difícil de ler, principalmente para aqueles que não têm esse hábito. Mas esse ritmo um pouco mais lento acaba sendo ainda mais imersivo, de certa forma, pois a viagem de Frodo e seus companheiros, só nessa primeira parte, já tem uma duração de muitas e muitas semanas. Assim, quando você termina de ler, fica realmente parecendo que você acompanhou aquela viagem por todos aqueles dias de caminhada, luta, etc. O ritmo de narrativa de O Hobbit parece ser o mais dinâmico do autor.

Cada membro da sociedade tem personalidades bastantes distintas, embora todos estejam empenhados no mesmo objetivo. É fácil identificar cada um e simpa-tizar com eles de formas diferentes.

Quanto à construção de mundo, não é preciso falar muito. Tolkien conhecia a fundo o universo que criou e mostra isso em cada página, como se ele mesmo vivesse lá. Seria incrível poder visitar o Condado, Lothlórien, Val-fenda, ver os Argonath, e as canções em élfico deixam você com vontade de aprender a falar aqueles belos idiomas.

Enfim, nunca é demais reforçar o quanto Tolkien foi um marco na literatura mundial e que vai ser eterno por conta de suas obras fantásticas, não só em gênero, mas em qualidade. Se você não é um leitor ávido ou nunca leu uma obra desse autor antes, talvez seja melhor começar pelo O Hobbit, para se acostumar gradualmente com o estilo de narrativa dele. Mas uma coisa é certa para todos: a Terra-Média nunca mais sai do coração de quem passa a conhecê-la.