Todos já passamos por ou ouvimos falar de alguém que passou por dificuldades devido à confiança de trabalhos importantes em pessoas que se dizem profissionais, mas não são. Por exemplo, uma reforma mal feita por um pedreiro sem experiência, ou um corte de cabelo que deu errado por causa de um(a) cabeleireiro(a) de mesma situação do pedreiro citado. O mundo está cheio de não-profissionais. É muito fácil achar a razão disso: as pessoas querem trabalhar, querem ganhar dinheiro para sustentarem a si mesmos e as famílias, mas não são todos que correm atrás de estudar, treinar, se especializar. Não são todos que se importam com a qualidade do serviço a ser entregue.

No mundo editorial não é diferente.

Óbvio que não seria diferente, já que toda pessoa que sabe colocar palavras bonitas em um papel se diz escritor(a). Não é bem assim. Se você se diz escritor, deve se dedicar – pelo menos alguma parte do tempo livre, nem que for duas horas do domingo – para a escrita. Não basta escrever um texto de aniversário emocionante uma vez no ano para ser escritor. E quanto aos profissionais do mercado editorial? Aqueles por trás dos livros, responsáveis por lapidar a obra do autor, diagramar, criar a capa, montar o livro como um todo. Aquele profissional que, muita vezes, é ignorado por causa dos preços. Com esses profissionais também é assim. Não é porque você sabe mexer no Canvas e montar uma capa de ebook que você é capista, não é porque você sabe bastante sobre a ortografia que você é revisor(a).

Nós, profissionais, estudamos, nos especializamos, treinamos e nos dedicamos para oferecer o melhor aos nossos clientes e sermos bem-vistos no mercado, além de ganhar o pão do dia a dia com o nosso ofício. Eu, como preparadora e revisora profissional, digo e tenho ciência de que os valores não são baixos, é verdade. Portanto, cobrar um real por lauda é totalmente “fora do cabo”. Isso mata o trabalho de um profissional de verdade.

Falsos revisores, um aviso: Preparação de texto e Copy Desk são a mesma coisa. Betagem é leitura crítica. Preparação não é revisão. Revisão é cobrada por lauda, não por página ou por número de palavras. Não ofereça cinco tipos de serviços, quando na verdade são apenas três. Não ofereça algo com o nome de outro trabalho. Não cobre de maneira errada – isso, na verdade, é uma segurança para você, não para o cliente: uma página com fonte em tamanho 8 não tem a mesma quantidade de texto que uma página com texto em tamanho 12, por exemplo.

Não queira que seu hobby tire o trabalho de um profissional. Se você quer um hobby, vá cuidar de um jardim, desenhar, assistir a alguma coisa, ler alguma coisa. Não ofereça serviços não-profissionais. Se o dinheiro está curto, procure se especializar no trabalho que deseja realizar no tempo livre. Seja justo consigo mesmo e com o outro.

O trabalho com o livro não é simples. É algo extremamente detalhado. Um profissional, para se destacar, precisa de muita experiência e um bom portfólio a ser apresentado. Portanto, esses não-profissionais que oferecem serviços baratíssimos acabam com as chances de quem realmente quer aquilo, de quem realmente precisa daquilo.

Não vou nem comentar sobre aqueles que oferecem serviços grátis.

Pense mais no próximo.

Você pode estar do outro lado da mesa qualquer dia desses.