Tecnologia | A PRESSA DA SOLIDÃO HUMANA



 

A humanidade tem andado para frente caminhando pra trás. Com o passar do tempo, as pessoas vêm se isolando a cada dia. Há uma necessidade grande de conexão que gera o distanciamento “E-midiático” entre nós. É muito comum e até normal, atualmente, estarmos bem acompanhados, porém, desprezarmos tal companhia em virtude de uma outra melhor. Não importam mais os amigos reais. Os virtuais foram eleitos como os mais fiéis. Os mais leais. A necessidade de vivenciar a “Síndrome do GPS” faz com que certos comportamentos, há algum tempo inexistentes, tornem-se constantes e cada vez mais causadores de tanta solidão em meio a uma multidão.

O que faz alguém pagar ingressos caríssimos para estar em grandes eventos e durante sua realização, ignorar tudo que acontece ao redor – a princípio, a essência e razão do dinheiro investido – em função de postagens constantes de fotos tiradas a todo instante nas principais redes sociais? Será que suas respectivas vidas e compromissos são deveras relevantes a alguém que não seja ela mesma? Mais importante estar ou sentir a emoção que aquele evento possa despertar-lhe?

É um excesso de vaidade, exibicionismo e voyeurismo imperando na rede, mas tudo isso provém de algo subjetivo que muitos percebem e poucos assumem: solidão. Sim! A humanidade está cada dia mais só. E é um contrassenso muito grande isso acontecer numa época onde as chances e oportunidades de se relacionarem com uma gama incomensurável de gente são maiores e mais fáceis. Quanto mais, menos. Podemos arriscar afirmar que a quantidade de acesso é completamente proporcional ao retrocesso de cada um de nós. A tecnologia nem pode ser culpada por isso e muito menos, a sociedade abster-se desse cenário. Ela é também vítima dessa realidade e, vez ou outra acaba se sabotando por erros e vícios. O entretenimento e a distração que a internet desperta acaba ofuscando focos iniciais, demandando tempo que, poderia ser usado para o desenvolvimento de ideias e/ou concretização de projetos.

A dificuldade que temos hoje em dia em lidar com os recursos disponíveis, afeta a qualidade dos processos de forma contextual, fazendo-nos buscar ou tentar resgatar o passado, constantemente. E não só trazê-lo de volta, mas revivê-lo integrado ao presente, transformando tudo num só tempo ou numa “neutralidade atemporal”. Presente, passado e futuro, juntos, aqui e agora.

Numa era digital de televisores de LED, sistema HDTV, novelas em preto e branco são lançadas em DVD, os LP’s retornam ao mercado mais caros que um CD, quando justamente as gravadoras, para enfrentarem a escancarada pirataria, disponibilizam na rede, suas canções em formato EP… Meu Deus!

E o Canal Viva exibe “BEBÊ A BORDO”, um grande sucesso de 1988, escrita por Carlos Lombardi, numa época onde o “politicamente correto” está presente e o texto da trama, embora moderno e transgressor, acaba tornando-se artigo fora de moda. Será?

Nós temos pressa! E não de realizar coisas. Temos pressa de tempo, pois esse passa tão rápido e o mundo de hoje nos obriga a fazer mil coisas simultaneamente e não mais uma a cada vez. Assim, a semana voa e o fim de semana, quando começa, mal termina. E tudo o que precisávamos fazer com urgência, torna-se adiável, pois “ainda é tempo para viver feliz”. E o que vem a ser felicidade? Bom, isso é papo para mais tarde…

 

 

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